O chamado para morte
Escola da rede estadual de São Paulo envia comunicado anunciando a volta às aulas no dia 1º de fevereiro.
sala-de-aula-arquivo-abr
Após o Enem, burguesia quer volta às aulas de maneira iminente. | Arquivo ABR
sala-de-aula-arquivo-abr
Após o Enem, burguesia quer volta às aulas de maneira iminente. | Arquivo ABR

Como uma amostra da real política de João Dória, as escolas estaduais de São Paulo começaram a emitir comunicados avisando para os alunos se prepararem para a volta às aulas presenciais.

Foi o caso da escola Estadual Antônio Alcântara Machado, onde o seguinte informe foi dado aos pais e alunos da instituição:

“Boa noite, alunos, pais e responsáveis!

Sobre o retorno às aulas no dia 01/02/2021, pedimos a gentileza que aguardem nossos comunicados. Antes do dia 01/02/2021, iremos ter toda a organização, protocolos, nomes dos alunos que irão participar das aulas em cada dia etc. Foi informado que os alunos em grupo de risco deverão apresentar uma justificativa para permanecerem em casa. Porém, não sabemos ainda como será feita essa justificativa, se por meio de laudo médico, declaração dos responsáveis etc. Por isso AGUARDEM! Por favor, não se desesperem e nem se antecipem.

Atenciosamente”

O ocorrido reforça o fato de que o estado de São Paulo encontra-se em uma política a todo vapor, assim como o governo federal de Jair Bolsonaro, na tentativa de promover a reabertura das escolas e universidades. Contudo, logo no texto apresentado, chama a atenção pelo tom de extrema preocupação com o qual as direções se dirigem aos alunos.

“Por isso AGUARDEM! Por favor, não se desesperem e nem se antecipem”, é com estas palavras, das quais revela-se a situação de total descontrole da pandemia por parte da burguesia. Ao contrário do que a propaganda fala, nem Bolsonaro e nem Dória tem alguma política eficaz de combate a crise do novo coronavírus. Pelo contrário, o número de casos e mortes apenas se aprofunda em todos os estados do país, e a retomada das escolas é vista como uma necessidade de salvar a economia, sacrificando os trabalhadores e a juventude.

Por outro lado, o tom de desespero também revela o estado de alerta com que as direções se portam frente a reabertura das escolas. É fato, que está medida é vista como totalmente impopular por toda a população brasileira, ninguém deseja a volta às aulas em plena pandemia, muito menos no momento onde a situação no país encontra-se várias vezes pior do que no chamado “pico”, ocorrido nos meses de junho à agosto de 2020.

Em relação a este comunicado, estudantes da escola Antônio Alcântara Machado, informaram ao Diário Causa Operária, que o anuncio foi completamente repentino. Além disso, revelaram que “em outro momento a escola já tentou fazer algo parecido. No final de 2020, tentaram realizar uma prova presencial de ‘teste de conhecimentos’, chegaram a enviar aviso para todos, porém logo voltaram atrás pedindo que os alunos fossem apenas pegar ela na escola e faze-la em suas casas”. Como não bastasse, estudantes denunciaram que “a escola empurrou para os alunos todo os materiais do ano, tudo de uma vez. Quando fui pegar aquela prova, de repente descobri que eu precisaria fazer outra de português. Esse tipo de coisa também ocorreu no início do EAD. Como já não bastasse ser um ataque à educação, boa parte dos alunos foram avisados da sua existência apenas dois meses depois de já ter iniciado”.

Toda esta situação é uma amostra de todos os ataques que sofre a juventude brasileira desde o início da pandemia. O EAD em primeiro lugar surgiu como uma das principais formas de destruição do ensino, sendo acessível a uma parcela minoritária da população e acabando de vez com qualquer aprendizado dos alunos. Posteriormente, a política de volta às aulas se tornou a prioridade máxima da burguesia nacional, que depois de muitos ensaios, buscam emplaca-la de vez em todo país.

Demonstrando o aprofundamento dos ataques, Mafra, militante da AJR em Maceió, contou à redação do Diário Causa Operária que a Estácio, instituição de ensino privada, também busca forçar a retoma das escolas, punindo os estudantes que não participarem. De acordo com um comunicado recebido pelo militante, os alunos estão sendo forçados a voltarem a ter aulas presenciais caso não desejem trancar temporariamente o curso.

Neste mesmo sentido, Mafra conta que “provavelmente o mesmo está acontecendo em todas as unidades, é um ataque direto aos estudantes. É o mesmo que vemos aparecendo cada vez mais nas escolas e universidades por todo país, querem fazer a reabertura à contragosto dos estudantes e professores”.

O militante ainda conta que a instituição busca enganar os alunos com a aparência de que tudo é “opcional”. Vale lembrar, que o mesmo já ocorreu em outros lugares do país. Ainda em 2020, na tentativa de forçar a implementação do EAD nos Institutos Federais de Santa Catarina, o então interventor André Dala Possa, ameaçou de expulsão os alunos que não fizessem o ensino remoto, após meses de demagogia, colocando-o como meramente “opcional”.

Graças a isso, é demonstrado pela prática que as direções do movimento estudantil devem organizar de imediato uma mobilização contra a volta às aulas. O Enem, prestes a ser realizado neste dia 17, é um passo adiante desta política genocida, que só pode ser impedida pela força dos estudantes.

 

Relacionadas
Send this to a friend