Garantir nas ruas!
Candidatura de Lula volta a ser atacada pela imprensa burguesa. Apenas a mobilização irá ser capaz de derrotar o golpe.
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Defender Lula em 2022 é um dever da esquerda. | Leonardo Benassatto/Reuters
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Defender Lula em 2022 é um dever da esquerda. | Leonardo Benassatto/Reuters

Logo após aos recentes vazamentos divulgados pela defesa do ex-presidente Lula que comprovam novamente a ilegalidade da operação Lava Jato, o nome de Lula voltou a aparecer com toda força como um natural candidato de oposição ao golpe nas eleições de 2022. Contudo, buscando impedir que isto torne-se uma campanha em torno de sua figura, a imprensa burguesa prontamente lançou-se na campanha de declarar que Lula representará a derrota eleitoral da esquerda para Bolsonaro.

Burguesia não quer Lula a todo custo

Lula, é a figura mais popular do país, porém a imprensa burguesa o coloca como o “candidato favorito” de Bolsonaro, baseando-se em pesquisas fraudadas que indicariam uma suposta “larga vitória” do fascista.

Esta pressão rapidamente passou a ser traduzida em uma disputada para substituir Lula por outro candidato, como Fernando Haddad. Justamente neste tom, a imprensa burguesa por meio da Folha de São Paulo lançou matéria nesta quinta-feira colocando que Lula já estaria indicando Haddad como candidato a presidência caso ele não possa concorrer em 2022.

Na matéria, não há referência alguma, Lula até o momento não deu declaração oficial alguma sobre o assunto. Contudo, a pressão já existe para que Lula abandone sua candidatura.

Ainda no texto, é informado que o ex-prefeito de São Paulo esteve em Brasília, em reunião com a direção petistas, que estaria programando uma caravana junto a Lula pelo país, com o intuito de promover ambos visando 2022. Haddad, em entrevista à TV 247 confirmou as informações, abrindo especulações por parte da esquerda pequeno-burguesa sobre a campanha eleitoral.

É necessário mobilizar a população

Independente dos supostos resultados eleitorais mencionados pela imprensa burguesa, a campanha da esquerda precisa não ser meramente uma campanha eleitoral, mas sim, formar um movimento de massas. A situação pede isto, em meio ao regime golpista aprofundada durante o governo Bolsonaro, a ditadura e perseguição política contra Lula, a maior figura da esquerda, só demonstra que a classe trabalhadora não poderá ganhar nada caso haja por meio das instituições.

Neste cenário, a campanha nas ruas é fundamental. O regime golpista só poderá ser derrubado nas ruas, por meio da força popular, graças a isso, nada adianta colocar algum dirigente de esquerda qualquer, Lula é a única figura capaz de criar esta mobilização em seu entorno, a única que tem uma resposta real da classe trabalhadora radicalizada, disposta a lutar contra o governo.

Mesmo as pesquisas burguesas, indicam que Lula é o único candidato capaz de polarizar de fato as eleições contra Bolsonaro. Isso é tudo que a burguesia golpista não deseja. Colocar Haddad, ou qualquer outra pessoa em seu lugar na candidatura de 2022, não servirá para cumprir este papel, e apenas enfraquecerá a mobilização contra o golpe.

Ainda mais pelo fato de estar sendo vítima de uma perseguição política do regime golpista, Lula se torna um simbolo para os trabalhadores dos ataques promovidos contra a população, e como ponto de afunilamento desta revolta.

A crise em torno da operação Lava Jato, noticiada nesta semana em todos os órgãos de imprensa, colocou a tona a questão Lula, como peça chave da luta política brasileira. O desespero por parte da imprensa, e as inúmeras medidas abertamente arbitrarias tomadas pelo judiciário em manter as condenações contra Lula mesmo após o processo farsa ser revelado totalmente, mostram que para a burguesia a participação de Lula nas eleições servirá apenas para aprofundar a polarização no país.

Ao contrário do que tenta parecer por meio de suas colocações na imprensa, a burguesia não tem como preocupação principal a reeleição de Bolsonaro em 2022. Fernando Henrique Cardoso já declarou na realidade, que Bolsonaro é uma opção para a direita, caso o centrão não emplaque um candidato para as eleições. Ou seja, a preocupação se revela uma farsa, a burguesia na realidade sabe que Lula nas eleições gerará uma situação muito complicada para o já instável regime político.

Já para a classe trabalhadora, não há sentido em votar no candidato escolhido pela burguesia, ou qualquer figura da esquerda pequeno-burguesa. Lula é o único caminho para real para o povo brasileiro nas eleições de 2022.

Isso não tornará as eleições menos difíceis para a esquerda, a fraude e os ataques feitos pela burguesia estarão a todo vapor para garantir a vitória do golpe. No entanto, o fundamental encontra-se justamente na mobilização causada por esta luta, com Lula a radicalização política apenas aumentará.

Dada a este fator, o apoio a Lula por parte da esquerda é fundamental. É justamente este problema que divide aqueles que de fato lutam contra o golpe com aqueles que se adaptam ao regime golpista.

Defender Lula é questão de primeira ordem para todos aqueles que se dizem defensores dos direitos democráticos da população. É obrigação de todos os partidos da esquerda mobilizarem seus quadros militantes para uma intensa campanha em torno da mobilização por sua candidatura.

Não podemos deixar com que a manobra da burguesia em 2018 se repita, e Lula seja substituído por outra candidatura, mais uma vez, apenas a pressão pela base das organizações dos trabalhadores  e dos partidos da esquerda garantirá Lula em 2022, e assim, o desenvolvimento da mobilização dos trabalhadores.

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