“Adonirando” o blues.
Se o blues já é bom, imagine se alguém “adonirar” o blues. Pois Edvaldo Santana é autor dessa receita para “adonirar” o blues.
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A música como literatura cantada por num cronista da vida da metrópole que nos esmaga. | "Foto: Reprodução"

Se o blues já é bom, imagine se alguém adonirar o blues. Pois Edvaldo Santana é autor dessa receita para adonirar o blues. Eis o grande feito de um filho de nordestinos nascido e criado no bairro de São Miguel Paulista, periferia de São Paulo.

E, como o artista é a antena da raça, é urgente conhecer o caleidoscópico das ideias Edvaldo Santana que vem de uma família grande, são oito irmãos, filhos do seu Félix e da dona Judith; necessário, urgente, ouvir e deliciar com os oito discos que lançou onde ele canta de tudo, samba, reggae, funk, blues, rock, country, baião, choro…

Orgulho da raça eis aí um artista, Edvaldo Santana, que há mais de 40 anos vem fazendo um trabalho único pela sua originalidade, criatividade, coerência, liberdade e coragem – muita coragem.

A ideia de ver o mundo como uma aldeia global, de compreender que a música popular brasileira, tens suas irmãs desgarradas nos quatro cantos do mundo. É o que Edvaldo nos mostra nos versos de sua canção “Variante” que explicam esse seu esforço artístico:  “Se eu pudesse aproximava os tempos/Adonirava o blues…”

A música como literatura cantada por num cronista da vida da metrópole que nos esmaga. Tudo exposto em carne viva, até os recônditos desse país imenso em versos que desnudam personagens, tipos e situações, seus amores e desamores, seus temores, esperanças e desesperanças.

Em que escaninho musical se encaixa Edvaldo? Em nenhum. Nem suas músicas tocam nas rádios e nos meios de comunicação. É como Lima Barreto, “maldito”, sem academia, escola musical, mas, genial, talento posto à margem olhando um mar de boçalidades que inundam os espaços generosos das TVs e das ondas de rádio.

É Edvaldo Santana quem diz de si mesmo: “Não produzo pensando no tempo, não marco cartão”, diz ele. “Sou um paulistano filho de nordestinos, um bicho urbano com características rurais e minha obra reflete o que estou sentindo”, continua, para em seguida fazer a si mesmo uma pergunta que responde com uma sinceridade rara hoje em dia: “Minha música é contemporânea? Nunca pensei nisso, pode ser, por ousar nas misturas e criar um novo campo de sonoridade através da canção, por não encontrar nenhum obstáculo entre o samba e o blues, por ter grande amigos músicos, identificados com uma estética onde a arte de executar um instrumento está acima de qualquer modalidade de plugins.”

Esse artista já nos brindou com duas entrevistas de enorme sucesso no programa Uzwela, da COTV e, volta agora em nosso programa, que ocorrerá hoje (05/07/2020), às 19:00 h. Imperdível.

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