Não houve fraude!? Deputada do PSOL indica que o povo é ignorante e por isso votou em Bolsonaro

samia
Para tentar justificar a política do regime golpista, de ataques ao ensino público e cortes nos gastos com Educação, em favor do grande capital, o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro publicou em seu Twitter que “o Brasil gasta demais em Educação”. O  chefe do governo tem no Ministério da Educação um notório defensor do ensino pago, ao qual tenha acesso apenas um “elite”. Ele procurou apresentar como sendo um problema o fato de que “em 2003 o MEC gastava cerca de R$ 30bi em Educação e em 2016, gastando 4 vezes mais, chegando a cerca de R$ 130 bi” e ainda acrescentou, para justificar a criação de uma operação Lava-Jato da Educação, que haveria “algo de muito errado acontecendo: as prioridades a serem ensinadas e os recursos aplicados”.

Comentando estas afirmações do presidente, a deputada federal do PSOL, Sâmia Bomfim‏, escreveu na mesma rede social que “se o Brasil de fato gastasse demais com educação, um ignorante como Bolsonaro jamais teria sido eleito presidente” com o que não só não rebate, no fundamental, o argumento de Bolsonaro, como reforça a fraude e o velho preconceito da direita – repetido por setores da esquerda pequeno burguesa -: de que que o povo é ignorante.

Muito mais grave ainda é que a declaração da psolista reforça um argumento que serve, ainda, de base para uma suposta legitimidade do governo golpista de Bolsonaro: a de que ele foi escolhido pela maioria do voto brasileiro que (sendo ignorante) votou no seu carrasco. Deste modo, a deputada ajuda a direita a ocultar os fatos mais importantes do último processo eleitoral:

– que o atual presidente obteve o apoio de apenas 39% do eleitorado, ou seja, mesmo tomando tais resultados como verdadeiros divulgados pelo TSE golpista, 61% do eleitorado não votou em Bolsonaro, não apoiou, mesmo que momentaneamente sua candidatura;
– que Bolsonaro só “ganhou” as eleições por conta de que o regime golpista impediu, de forma ilegal e inconstitucional, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de participar das eleições, por meio de um processo criminoso que levou à sua condenação, sem provas, prisão e cassação de sua candidatura.

A pretexto de criticar o posicionamento reacionário de Bolsonaro sobre a Educação, Sâmia Bonfim acaba por lhe oferecer aval em algo muito mais importante, a falta legitimidade de sua eleição que, inclusive, lhe serve de munição para atacar a Educação e tudo mais que interessa ao povo brasileiro, uma vez que – segundo essa versão fantasiosa – ele teria sido escolhido em eleições democráticas, pela maioria do povo brasileiro.

Obviamente, não se trata apenas de uma posição pessoal da deputada mas reflete o pensamento majoritário do seu partido, o PSOL, e da maioria das direções da esquerda que – dessa forma – oferecem endosso e em alguns casos até desejam “sucesso” para o governo ilegítimo e sem apoio popular de Jair Bolsonaro e todos os golpistas que lhe apoiaram, integram seu governo etc.

Essa política constitui-se em um fundamento que leva o PSOL e demais setores a atuarem – no máximo – como críticos do governo Bolsonaro, que deveria ser criticado, mas aceito como legítimo. Isso quando o povo “ignorante” não lhe conferiu qualquer legitimidade e já deu mostras contundentes de ter cada vez mais clara a necessidade de colocá-lo para fora para impedir que esse avance contra todos os seus interesses.

A ignorante, obscura e retrógrada direita não vai aprender com o povo. Pode apenas ser contida e derrotada pela sua mobilização revolucionária. A esquerda pequeno burguesa, infelizmente, mostra cada vez mais sua disposição de copiar e seguir a direita, quando deveria aprender com a profunda sabedoria popular.