Genocídio
O país sul-americano, dominado por uma direita golpista, conta com um dos piores números de infectados e agora enfrenta escassez de equipamentos de proteção e medicamentos
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A presidente da Bolívia, Jeanine Áñez, fazendo teste para o coronavírus | Foto: Courtesy of Bolivian Presidency/Handout via Reuters

A Bolívia vive, no momento atual, uma situação de descontrole total da pandemia de Covid-19. O país possui um dos maiores índices de infecções e de mortes do continente, proporcionalmente ao seu tamanho, e a política do governo golpista não demonstra nenhuma preocupação no sentido de combater essa situação. 

No último período, a crise tem se dado em torno da falta de insumos para o combate dos sintomas da Covid-19. Segundo o diretor técnico do Serviço Departamental de Saúde de La Paz, René Sahonero, houve um aumento “excessivo” de pacientes com insuficiência respiratória, o que fez com que os insumos para atender essa situação estejam cada vez mais escassos nos centros de saúde. Ele afirma: 

“O problema causou uma demanda excessiva tripla nos hospitais e foi um dos fatores que diminuiu a quantidade desse produto nas cidades”.

A situação é especialmente grave em regiões como Santa Cruz e Cochabamba, que possuem os maiores números de casos de covid-19 e já não possuem mais oxigênio o suficiente para atender a todos os pacientes. Segundo o chefe nacional de Epidemiologia do Ministério da Saúde, Virgilio Prieto, já estão sendo feitos os trâmites para importar o oxigênio dos Estados Unidos e do Uruguai. 

Nas farmácias, a situação também é desastrosa. Há uma escassez de medicamentos para o combate do vírus e os que estão disponíveis, sofreram uma alta de preços de 50% a 100%. O próprio ministro golpista de Serviços e Obras Públicas, Ivan Árias, afirmou que o aumento se tratava de um “roubo”. O aumento ocorreu mesmo com a eliminação de tarifas para as importações de remédios, o que devia ter o efeito contrário. 

O presidente da Associação de Cadeias de Farmácia justificou que, com a alta demanda dos medicamentos, os genéricos já não se encontram mais disponíveis na farmácia e sobraram apenas os de marcas caras e importados. 

Mesmo diante dessa situação de caos e descontrole, a presidente golpista Jeanine Áñez, afirma que nos últimos três meses “fizemos mais pela saúde do que foi feito em trés décadas”, o que demonstra o cinismo absurdo desses setores da direita. 

É fundamental que a classe trabalhadora boliviana e da América Latina de um modo geral não se deixe levar pelas justificativas infundadas do governo golpista. É bastante óbvio que as medidas não são tomadas por falta de interesse político da parte da direita, que procura dominar o país em meio a uma gigantesca crise política gerada pelo golpe de estado dado em 2019.

Também é claro que o desastre sanitário que se configura na Bolívia é produto desse mesmo golpe de estado, que colocou no poder um setor altamente vampiresco da sociedade, vendido para o imperialismo e que atua como apenas um fantoche dos Estados Unidos, procurando arrancar da classe trabalhadora o pouco que ela ainda tem de recursos.

Fica clara a incapacidade e falta de interesse do governo boliviano de enfrentar a pandemia quando se compara seus números com a Venezuela, país vizinho de continente e que é pintado pela imprensa burguesa como a mais cruel das ditaduras e que mais reprime sua população. Na Bolívia, já são 75.234 infectados pelo coronavírus, com 2.894 óbitos, enquanto que na Venezuela, um país com quase 3 vezes o número de habitantes, são 18.574 infectados e 164 óbitos.

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