PM mentiu, foi massacre!
Depoimentos de moradores desmentem versão apresentada pela polícia. O que ocorreu em Paraisópolis foi mais uma chacina promovida pela PM.
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Foto: mídia ninja |

Não demorou muito – a verdade veio à tona. Segundo depoimento de moradores que presenciaram o massacre de nove pessoas que participavam de um baile funk na Favela de Paraisópolis, na madrugada do ultimo dia 1, não houve pisoteamento; trata-se de uma farsa inventada pela polícia.

Em entrevista ao canal de notícias Viomundo, moradores, na condição de anonimato, contam que as vítimas não morreram pisoteadas. Diferente da versão apresentada pela mídia, os jovens foram muito espancados e teriam sido asfixiados pelo gás lacrimogêneo e spray de pimenta ao serem encurralados em uma das vielas da favela. Ademais, segundo as testemunhas, a maioria dos mortos não morava em Paraisópolis, o que dificultou a rota de fuga, já que não conheciam as ruas da favela, caindo, justamente, em uma viela que não possibilitava a fuga. Uma das testemunhas, inclusive, contou que os corpos ficaram espalhados pelo chão, vários deles na escada que dá acesso ao beco.

“Não consegui dormir depois das cenas que vi. Foi desesperador ver o que esses meninos passaram. Os PMs bateram sem dó. Mataram na porrada e com spray de pimenta e bombas de gás. Não foram pisoteados”, revelou a testemunha.

Ainda de acordo com a testemunha, “os meninos pediam socorro, estavam passando mal. Tinha muito gás lacrimogêneo, não dava para respirar. Sete já saíram daqui mortos. Alguns estavam com os lábios roxos.”

A moradora também desmente a versão apresentada pela polícia, a qual afirma que os PMs estavam perseguindo uma moto, quando, por acaso, se depararam com o baile funk. Assim, de acordo com a moradora que testemunhou a ação covarde da polícia, “a história da moto é mentira, balela. Não tinha moto nenhuma”.

Outro morador também contestou a tosca versão da polícia quanto à existência da moto. “Como uma moto entra no meio de cinco mil pessoas e não atropela ninguém?”, indagou José Maria, corroborando com o questionamento feito pelo ex-tenente-coronel Adilson Paes de Souza. “Há uma falha na narrativa, não faz sentido. Entraram com a moto no meio de cinco mil pessoas? E onde está a moto? Naquela confusão dizem que encontraram o cartucho de uma bala. Mas não encontraram uma moto?”, concluiu.

Outro morador que preferiu não revelar o nome, com medo de represália, ratificou dizendo: “O que o delegado está falando é mentira. Eles já vieram determinados a matar a meninada na maldade. Encurralaram e bateram com cacetete de madeira na nuca, nas costas. Foi um massacre”. Quanto a versão apresentada pela PM, que afirmou os policiais teriam sido recebido a tiros, o morador desmentiu essa versão: “eles dizem que foram recebidos à bala, mas não foram”.

Segundo Valdemir José Trindade, o Guga, nascido e criado em Paraisópolis, dirigente da associação de moradores União em Defesa da Moradia, é comum que a polícia aja com truculência contra os moradores de Paraisópolis há muito tempo. Guga recorda que em 2010, um grupo de extermínio integrado por PMs, conhecido como Bonde dos Carecas, tinha o costume de agredir moradores da favela.

Os casos envolvendo atrocidades por parte da polícia não se esgotam. Ainda segundo Guga, “Cegaram inclusive uma menina com uma bomba. A Daiane era bonita e ficou revoltada por ter ficado cega de um olho. Se entregou às drogas e hoje mora no cemitério São Luiz. A família da vítima chegara a denunciar o caso, mas fora ameaçada pelos policiais.

Ao falar do massacre do Baile Funk, Guga explica que vários dos feridos sequer estavam participando do baile. “A rua faz uma encruzilhada. De um lado tem o baile funk, de outro tem forró, de outro tem samba, do outro tem barzinhos”.

Guga revelou, também, a intimidação que ele e outros moradores já vinham sofrendo através de áudios recebidos no aplicativo Whatsapp. “Recebemos áudios dizendo que a polícia ia fazer uma tragédia na comunidade Paraisópolis de vingança. Mas ninguém acreditou.”

Guga ainda denotou grande indignação quanto à postura do prefeito de São Paulo. “O Doria mora aqui do lado, no Palácio (dos Bandeirantes). Não adianta dizer que lamenta. Ele está dando apoio para que isso aconteça. A Polícia Militar tem uma facção miliciana.”

Em meio a diversos depoimentos de moradores que presenciaram a ação da PM, não restam dúvidas quanto ao caráter fascista da corporação. O que ocorreu em Paraisópolis não foi pisoteamento, mas, dentre tantos outros, mais um massacre da PM contra o povo pobre das favelas brasileiras, sendo este, portanto, um modus operandi do aparato repressivo do Estado brasileiro. Nesse sentido, só há uma alternativa: exigir a imediata dissolução da polícia militar.

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