Não foi afogamento: entidade indígena denuncia assassinato político
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Não foi afogamento: entidade indígena denuncia assassinato político
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O Conselho das Aldeias Waiãpi – Apina divulgou uma nota questionando o laudo necroscópico preliminar divulgado pela Polícia Federal na sexta-feira,16.

O Cacique Emyra Waiãpi foi encontrado morto em julho deste ano no Amapá. Segundo os indígenas, cerca de 50 garimpeiros estavam e continuam dentro de suas terras realizando atividade de garimpo, ameaçando o povo, ocupando pequenas aldeias durante a noite e agredindo os indígenas.

Como estamos denunciando há tempos, Bolsonaro estimula cada vez mais as invasões e assassinatos de indígenas.

Segundo sua polícia fascista, o cacique morreu por afogamento e está descartada a possibilidade de assassinato.

“Apesar das informações iniciais darem conta de invasão de garimpeiros na terra indígena e sugerirem possível confronto com os índios, que teria ocasionado a morte da liderança indígena, o laudo necroscópico não apontou tais circunstâncias”, diz texto divulgado pela PF.

O Apina discorda. “Entendemos que o laudo da Polícia Técnica, que concluiu que a causa da morte do chefe Emyra foi afogamento, não significa que esta morte tenha sido por acidente, pois o laudo também confirma ferimentos na cabeça. Continuamos acreditando na versão da família do chefe, de que a morte foi violenta, pois vimos as imagens do corpo em que aparecem marcas de pancadas na cabeça, cortes atrás da orelha e abaixo do olho e um furo no pênis que parece ter sido feito por uma faca. Estas imagens já foram entregues para a Polícia Federal, para a Funai (Fundação Nacional do Índio) e para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Além disso, o corpo foi encontrado em um igarapé muito raso, onde é muito difícil uma pessoa adulta se afogar por acidente”, afirma trecho da nota.

Esse caso, assim como o corte de recursos de órgãos que dariam suporte para os indígenas como a Funai e o Incra, e mais uma série de ataques violentos que os indígenas vêm sofrendo, estão ganhando repercussão em todo o mundo.

Trata-se da política dos golpistas: estimulam as invasões dos garimpeiros, dos latifundiários e o assassinato dos indígenas e a todos que lutam pela terra. Assim, entregam todas as nossas riquezas naturais para os grandes capitalistas.

É fundamental que os índios se organizem, formando comitês de auto defesa para, assim, responderem à altura aos ataques da extrema-direita.