Não era só tirar o PT? Crescimento pífio do PIB brasileiro agrava crise do governo Bolsonaro

A imprensa que chamava de “pibinho” os 2,5% de crescimento no pior ano de Dilma Rousseff, e de “retomada do desenvolvimento” os PIBs vergonhosos do governo Temer, agora tem dificuldade em manter a pregação de que a solução “era só tirar o PT.”
Segundo o IBGE, o PIB brasileiro encerrou o ano de 2018 com um crescimento desanimador, de 1,1%. Os setores da indústria e agropecuária tiveram piores desempenhos em relação aos serviços. A imprensa burguesa não demorou a culpar a greve dos caminhoneiros pelo problema. Mas o fato é que o crescimento de praticamente zero no último trimestre dá a entender que a burguesia não está tão otimista quanto à capacidade de Bolsonaro alterar esta situação recessiva.

Se o desemprego, a redução salarial e todas as medidas repressivas tomadas contra a população rapidamente tiraram do regime golpista qualquer apoio popular, o crescimento econômico pífio enfraquece também o apoio de pequenos e médios empresários reacionários e/ou confusos ao governo. Se somarmos a isso uma situação econômica incerta em outros mercados consumidores, como EUA, Japão e China, tem-se um cenário muito crítico que dificulta a sustentação de Bolsonaro no poder.

Não é à toa que Bolsonaro começou o mandato com uma das piores aprovações dos últimos presidentes. É preciso lembrar que sua eleição já foi fruto de um golpe, que retirou Lula – candidato favorito absoluto nas pesquisas – e tirou qualquer liberdade de os partidos participarem da campanha eleitoral de maneira equilibrada. Muita fraude foi necessária para que os golpistas conseguissem barrar candidaturas populares, justamente porque eles têm cada vez menos base social para se manterem no poder.

No Carnaval – tão criticado pela esquerda pequena-burguesia como um momento de alienação popular – se observa como aumenta o descontentamento da população. Os sinais são cada vez mais evidentes. De um lado, temos um governo que age desesperadamente e com truculência para manter algum controle político e, de outro, uma população cada vez mais disposta a reagir.

Os elementos para uma grande mobilização revolucionária estão se colocando e as organizações de luta precisam aproveitar a oportunidade.