Não é só o petróleo: Bayer e Monsanto também têm interesse no golpe na Venezuela

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Não é de hoje que a direita venezuelana defende os interesses imperialistas dentro do próprio país. Já faz algum tempo também que é possível perceber que as reservas de petróleo e a empresa estatal de petróleo da Venezuela (PDVSA) são alvo do interesse das grandes empresas que controlam o monopólio desse marcado, como as norte-americanas Chevron e ExxonMobil. Porém, nos últimos dias, vieram a tona na imprensa progressista latino-americana informações sobre os interesses das indústrias de veneno Bayer e Monsanto no golpe contra Maduro.

Mas, o que a Monsanto e a Bayer, que possuem negócios conjuntos, esperam ganhar com um governo golpista de um farsante como Guaidó? Para entender esse problema é preciso lembrar que desde o governo de Hugo Chaves as duas empresas foram submetidas a um controle rígido das substâncias que podia vender. Ao contrário da imensa maioria dos países latinos, a Venezuela não se tornou um paraíso para o uso de venenos e defensivos agrícolas.

Além de venenos, outro produto da Monsanto são as sementes modificadas geneticamente, chamadas de transgênicas. Em 2004, Chaves proibiu que a soja transgênica da Monsanto fosse plantada na Venezuela. Levando em conta a segurança alimentar da população, foi impedido que os alimentos transgênicos fossem produzidos no país.

Em 2015, a Venezuela aprovou a chamada Lei de Sementes do Povo, que foi além das medidas tomadas por Chaves e proibiu sementes transgênicas além de avanças também nas restrição do uso de venenos na produção. Desde o início a direita golpista que se intitula Mesa da Unidade Democrática (MUD), inclusive com o partido de Guiadó, fizeram campanha contra a Lei de Sementes e tentaram derruba-lá.

Por outro lado, mas não menos importante, um dos principais venenos vendidos pela Bayer e Monsanto é o glifosato, conhecido também como Roun-Up ou mata-mato, e esse veneno vem sendo ligado a vários casos de câncer no mundo todo. Decisões de cortes norte-americanas refenderam o vínculo entre o veneno e a doença, o que motivou uma série de pedidos de indenização. Além disso, vários países passaram a proibir e restringir a venda desse tipo de veneno, o que tem levado a enormes prejuízos financeiros para essas empresas.

Monsanto e Bayer esperam que um golpe torne a Venezuela acessível a venenos que inclusive estão proibidos em outros lugares do mundo. O desejo dos golpistas é criar uma nova área de venda do Round-Up. Não obstante, o interesse das grandes petroleiras é quase autoexplicativo em virtude da Venezuela possuir uma das maiores e mais acessíveis reservas de petróleo do mundo.

Assim, o capital monopolista usa o estado norte-americano e seus títeres para atender a todos os seus na Venezuela. As ligações do governo norte-americano e seus agentes com as empresas e seus interesses não é nenhum segredo. Assim, a iniciativa dos golpistas como Guiadó pretende destruir até a saúde do povo para dar lucro para os monopólios estrangeiros.