“Não é o que você está pensando”: General Etchegoyen diz que estão fotografando, mas não estão fichando

O homem forte do governo fraco e moribundo do clandestino presidente golpista Michel Temer, General Sérgio Etchegoyen (de tradição familiar golpista), Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, declarou à imprensa que o Exército não está fichando, nem fotografando moradores de favelas do Rio de Janeiro.

Etchegoyen – desde o golpe de Estado de 2016 – vem ocupando posições cada vez mais estratégicas na definição de políticas que vão no sentido do aprofundamento do caráter repressivo do regime golpista, assumindo um papel de destaque cada vez maior nesta etapa de militarização da vida política nacional.

É certo que o general golpista foi um dos arquitetos e formuladores da intervenção militar federal que colocou o comando da segurança pública do Rio de Janeiro sob o comando das Forças Armadas, numa flagrante violação da constituição e do que ainda resta de direitos democráticos da população, pisoteados cotidianamente pelos golpistas usurpadores.

A escalada de arbitrariedades contra os direitos das populações que habitam os morros e favelas da cidade carioca vem crescendo exponencialmente e já são flagrantes as violações contra os moradores destas comunidades.

Na sexta-feira da semana passada, militares foram flagrados fotografando moradores das comunidades da Vila Kennedy, Vila Aliança e Coréia, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Diante da mais completa ilegalidade e violação da privacidade dos moradores, o general declarou que “o que as Forças Armadas estão fazendo é, com o sistema de segurança do Rio de Janeiro, identificar e mandar para o centro de controle aquela imagem, para verificar se corresponde à carteira. Ninguém está sendo fichado” (G1, 26/02).

Isso, no entanto, é só o começo, pois segundo o General Braga Netto, responsável por comandar a intervenção federal, as operações ainda nem se iniciaram. “Estamos ainda na fase de planejamento”, declarou o militar interventor. O que ainda virá pela frente? Certamente mais ilegalidades, violações e arbitrariedades contra as populações que habitam as comunidades ocupadas pelo Exército.

A intervenção federal no Rio de Janeiro é mais uma etapa na escalada golpista do regime de terror e opressão contra as massas populares. O próprio General que comanda a intervenção declarou que o “Rio de Janeiro é um laboratório para o Brasil”. Mais claro, impossível. Os planos golpistas vão muito além do Rio de Janeiro. É necessário colocar em marcha uma vigorosa campanha de denúncia do caráter reacionário e fascistoide da intervenção militar, que não tem outro propósito senão espalhar o pânico e o terror contra as comunidades pobres da capital carioca, sob a cobertura muito mal disfarçada de combate ao tráfico e ao crime organizado.