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“Quem sabe faz a hora não espera acontecer” esse lema da canção hino de Geraldo Vandré  marcou a luta contra os golpistas de 1964 é cada vez mais atual. Entretanto, na crise presente, as direções políticas da esquerda adotam em praticamente em todos os momentos decisivos, a posição inversa, ou seja, “nunca é a hora” e sempre é  melhor “esperar para ver o que acontece”. Assim, com o crise do governo Bolsonaro se aprofundando o mantra da passividade política se repete: “ Não é Hora para o Fora Bolsonaro”.

A crise do governo Bolsonaro, que se encontra na presidência devido a manipulação eleitoral, tem se intensificado depois das mobilizações do último 15 de maio e da divisão no interior do bloco golpista. Esta colocado a luta pelo Fora Bolsonaro e todos os golpistas como uma alternativa popular diante da acentuação da perda da governabilidade de Bolsonaro. Setores importantes da burguesia já preparam na eventualidade da queda do governo, uma alternativa golpista. É necessário uma alternativa própria dos explorados.

Neste sentido, o movimento operário e popular precisam intervir na conjuntura, colocando de maneira clara uma política contra os golpistas, e não esperando para ver como jogo será jogado pelas forças golpistas. A hora é exatamente agora, é preciso levantar o Fora Bolsonaro, com novas eleições com Lula candidato para aproveitar a divisão da burguesia e ao mesmo tempo impulsionar as mobilizações populares para derrotar todo projeto golpista.

Importante salientar, que essa política de “agora não é hora”, complementada pela política de que é preciso impulsionar as “ mobilizações” sem nenhuma palavra de poder não é algo novo, mas pelo contrário, é política recorrente das direções de esquerda na crise política atual, o que somente tem levado a derrotas

Uma parte dos defensores de que não é a hora do Fora Bolsonaro, afirmam equivocadamente que diante da vitória da extrema direita nas eleições, não podemos lutar mais pelo poder, mas apenas adotar uma postura defensiva restrita a pauta dos alvos bolsonaristas. O que esse argumento confunde é o fato que uma luta defensiva, que realmente está colocada diante dos ataques do governo da extrema direita, para se desenvolver não pode ficar circunscrita aos limites impostos pela governo golpista, ou seja para se desenvolver a luta defensiva precisa unificar as lutas e produzir um alternativa de conjunto contra a crise do regime. Assim, é exatamente o contrário do que pregam os opositores da consigna “ Fora Bolsonaro”, lutar defensivamente não significa ficar recuado e não colocar em movimento efetivo de retomada da ofensiva contra o golpe.

Contraditoriamente, os que afirmam que não existem condições para o “Fora Bolsonaro”, apresentam que existe o perigo iminente do “Fora Bolsonaro” e que se acontecesse somente beneficiária a “velha direta”. Assim se os impulsos que já se desenvolvem na base popular pelo “Fora Bolsonaro” impulsionassem qualquer ação mais enérgica contra Bolsonaro somente favoreceria setores golpistas como o “centrão” e os “militares”.

Assim, os contrários ao Fora Bolsonaro, iniciam afirmando que “ não adianta defender Fora Bolsonaro”, pois o governo, apesar da crise é “ muito forte” e que portanto “Fora Bolsonaro” é perda de tempo e não vai dar em nada, e que portanto o correto é “mobilizar apenas pela pauta contra os cortes e contra a reforma da previdência “  para depois argumentar contra o Fora Bolsonaro, com uma avaliação da correlação de forças exatamente inversa. O governo está prestes a cair, e temos que sustentar o governo da extrema direita para não permitir um governo de parte do mesmo governo bolsonaro, com Mourão.

Na verdade, a política de “não é hora para Fora Bolsonaro” é parte da mesma política de “virar a pagina do golpe”, visando estabelecer um mecanismo de adaptação ao regime golpista. Não defender agora o Fora Bolsonaro, quando o governo está enfraquecido significa duas coisas extremamente negativas para o movimento popular. Primeiro, sustentar politicamente um governo que ataca violentamente os direitos sociais e políticos da classe trabalhadora e do povo brasileiro. Segundo, ficar completamente a reboque das forças políticas golpistas. A “hora é agora, quem sabe faz a hora não espera acontecer” , precisamos aproveitar a crise do governo e colocar a luta pela derrubada do regime golpista, apresentando uma alternativa própria. Fora Bolsonaro e todos os golpistas. Por eleições gerais. Liberdade para Lula.