Não é hora de festa eleitoral, é hora de mobilizar os comitês de luta contra o golpe

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As eleições estão chegando ao seu fim. No dia 28, domingo, o resultado que todos já sabem será consolidado. Por meio de uma das maiores fraudes eleitorais, os golpistas colocarão Jair Messias Bolsonaro na presidência da república. O golpe estará realizando o que buscou desde o início: uma aparência democrática e “legítima” ao regime fraudulento. Em parte, isto se realizou com a ajuda da esquerda pequeno-burguesa que aceitou calada o ponto central de toda fraude, a retirada de Luiz Inácio Lula da Silva do processo eleitoral e sua prisão política.

Durante todo este processo, a esquerda está vivendo em uma fantasia política. Em meio às eleições mais antidemocráticas, e portanto, mais desfavoráveis para a esquerda, desde a ditadura militar. Com Lula mantido há mais de 200 dias como preso político, de forma totalmente ilegal, e com os políticos mais tradicionais do PT, como Dilma Rousseff, ex-presidente da república, colocados para escanteio através de uma manobra fraudulenta descarada.

Os resultados foram tão desastrosos que até parece que o primeiro turno das eleições ocorreu para comprovar para quem tivesse dúvica que estas são as eleições do golpe. As eleições que foram predestinadas a excluir de maneira mais feroz toda esquerda do regime político. Mas mesmo assim, setores da esquerda estão com ilusões nas eleições, como se houvesse alguma magia, alguma manobra eleitoral que possa reverter a situação.

Parte da esquerda está caindo no conto do antipetismo, pautada pela imprensa imperialista e golpista, que quer nos fazer acreditar que, no país onde Lula é o político mais popular e apoiado, existe uma onda gigantesca de ódio ao seu partido. E sendo assim, fizeram a “magia” de retirar Lula da campanha, abandonar o vermelho e adotar as cores dos golpistas: o verde e o amarelo, que sempre nos faz relembrar das festas golpistas que ocorreram em 2015 e 2016.

Isso, adicionado a uma campanha ainda mais moderada, seria o feitiço primordial que faria Haddad e o PT passarem por cima das manobras golpistas e ganharem as eleições, organizadas para que eles percam. Esse é o cenário organizado pela burguesia golpista. Um cenário que confunde todo um setor da esquerda que acredita na magia eleitoral e no poder do voto – o chamado “fetichismo eleitoral”.

A verdade é que já foi demonstrado diversas vez que, por meio das instituições golpistas, que controlam com mão de ferro o processo eleitoral, a esquerda nunca conseguirá derrotar a direita golpista que está atacando todos os direitos democráticos fundamentais. Está na hora de passar para uma nova etapa do golpe e trabalhar no sentido de organizar a única coisa que efetivamente funciona contra a burguesia: a mobilização dos trabalhadores em aliança com toda população oprimida pelo sistema capitalista.

Por isso, faz-se necessário, neste momento, reorganizar os comitês de luta contra o golpe, que são primordiais na mobilização de todo o movimento combativo contra a direita, organizando atividades de campanha nas ruas, caravanas, panfletagens, colagens de cartaz, venda de material, campanha financeira e assim por diante. É preciso formar comitês onde ainda não existem, e organizar uma agenda diária de mobilização e agitação contra a direita golpista, nas ruas, nos bairros operários, nos pontos de encontro da população e assim por diante.

Para isso, é preciso uma disciplina militante. Apenas com isso seremos capazes de derrotar o golpe. Precisa de comprometimento e dedicação. Realizar reuniões semanais com os militantes de todo tipo de organização, e uma campanha sistemática contra o golpe. Com este fim também, nos dias 8 e 9 de dezembro, centenas de comitês de luta contra o golpe, junto com o Partido da Causa Operária, estão organizando a segunda Conferência Nacional aberta de luta contra o golpe e a extrema-direita, para deliberar sobre os rumos da próxima etapa política do golpe.