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Não é com censura que se combate a direita

No último período, especialmente depois do golpe de Estado, a direita brasileira tem se organizado para intervir nas mais variadas oportunidades, e as festividades de Carnaval não poderia ser diferente.

Em São Paulo, a extrema direita, defensora da ditadura, publicou que faria um desfile neste ano, em um bloco chamado Porão do Dops, em referência e, na verdade, homenagem ao Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), instituição criada pela ditadura militar que torturou e assassinou quem lutou contra o regime de chumbo.

Esse bloco, logo que foi anunciado, gerou uma enorme controvérsia nas redes sociais, além de ser criticado e denunciado pela esquerda democrática e revolucionária. Muitos militantes da esquerda pretendem comparecer ao local para dispersar a “festa” dos direitistas.

O bloco pretende homenagear Brilhante Ustra, delegado Sérgio Fleury, dentre outros representantes da brutalidade militar e da tortura brasileira.

Acionado pelo grupo Tortura Nunca Mais, o Poder Judiciário, tentando se passar como instituição democrática, decidiu, através do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que o bloco Porão do Dops não deve fazer seu desfile.

Segundo o TJSP o bloco e os foliões devem se abster “de utilizar expressões, símbolos e fotografias que possam ser claramente entendidas como apologia ao crime de tortura”, e, como não tem autorização da prefeitura, não deve desfilar.

Em primeiro lugar é preciso dizer que o Poder Judiciário é um dos principais agentes responsáveis pelo golpe de Estado; golpe que abriu caminho para esse tipo de atividade fascista. Foi o poder não eleito que homologou todas as arbitrariedades de golpistas como Sérgio Moro e outros, responsáveis pela atual crise política e social do país.

Em segundo lugar, a luta democrática em geral e a luta contra a direita no particular deve ser feita nas ruas, com o movimento popular organizado, levando adiante suas reivindicações. A direita precisa ser varrida do mapa pela força do movimento operário organizado.

Autorizar que o judiciário, o mesmo responsável pelas 700 mil pessoas encarceradas no Brasil, pelo golpe de Estado, e outras atrocidades, tome para si uma suposta defesa de direitos é um erro gigantesco.

A censura do bloco dos fascistas é o primeiro passo para censurar absolutamente todo o Carnaval e, certamente, os blocos esquerdistas, que costumam desfilar no Carnaval com marchinhas e denúncias políticas.