Porta dos Fundos
Contra a política da esquerda (Psol), que exigie mais repressão para combater o fascismo, é necessário criar os comitês de autodefesa para enfrentar a extrema direita.
PORTA
"Foto - Reprodução" - Fábio Porchart, do Porta dos Fundos |

O crescimento da extrema-direita como fenômeno político o e social em todo o País já é uma realidade que não pode ser desconhecida. Mesmo antes da posse do presidente fascistoide, o País já registrava manifestações  direitistas em várias regiões, algumas delas violentas. A chegada de Bolsonaro ao posto máximo do país, de forma totalmente fraudada e manipulada – somente acentuou uma tendência já presente na conjuntura, desencadeada pelo golpe de Estado de 2016.

Muito contribui para este estado de coisas a conduta de todo um setor  esquerda nacional, que não vê outra possibilidade de “enfrentar” o fascismo e a extrema direta a não ser no limitado e quase inútil terreno institucional, totalmente dominado pelos setores que se não se apresentam abertamente como de extrema direita (Centrão), colaboram com o bolsonarismo em toda as mais perveras iniciativas dirigidas contra os direitos e as conquistas das massas populares (reforma da previdência, pacote anticrime, desmonte do seviços público).

No último dia 24 de dezembro, véspera Natal, a produtora Porta dos Fundos sofreu um ataque a bomba, em sua sede, na cidade do Rio de Janeiro. No outro dia, 25, três  homens encapuzados dizendo ser do “Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Família Integralista Brasileira” gravaram um vídeo, que começou a circular nas redes sociais, reivindicando a autoria do ataque a bomba contra a produtora.

Sequer vale a pena tecer comentários sobre o conteúdo do vídeo publicado pelos que reivindicam a autoria do atentado, que se apresentam como Integralistas (fascistas), acusando o Porta dos Fundos de “marxista”. O que vale mesmo a pena, pois tem implicações de natureza política grave, são as declarações que se sucederam, por parte da esquerda, sobre o fato.

Como de costume, os deputados do Psol deram a largada, com pronunciamentos os mais disparatados. A Deputada Federal por São Paulo, Sâmia Bomfim fez o seguinte comentário: O nome disso é terrorismo de extrema-direita. Punição exemplar já. Toda solidariedade ao Porta dos Fundos”. Punição exemplar – como reivindica a deputada psolista – significa que o Estado repressor, a “civilizada” Polícia carioca (que dá proteção aos fascistas) deve encontrar os autores do atentado e puni-los severamente, É isso senhora deputada? A assassina e miliciana PM do Estado de Rio de Janeiro, ou os tribunais bolsonaristas do Estado, esses, irão punir exemplarmente os fascistas autores do atentado à produtora? Obviamente que não senhora parlamentar de “esquerda”. O Psol está exigindo, neste sentido, mais eficiência da PM, mais repressão. É isso e nada mais.

Já o deputado carioca pela mesma legenda, Marcelo Freixo protestou afirmando que: “Os discursos precedem os atos de ódio. O fanatismo bolsonarista está alimentando a violência de grupos de extrema-direita pelo país, como aconteceu no atentado terrorista contra o Porta dos Fundos. Ao não condenar esse crime, o governo compactua com um ataque grave à democracia”. 

Na mesma toada da sua colega paulista, Freixo está exigindo que o presidente fascistóide, que acaba de lançar um partido abertamente fascista, condene a ação dos Integralistas brasileiros. Neste sentido, não é uma leviandade afirmar que o Psol é um partido de “esquerda” que apoia as ações criminosas da justiça, do Estado repressor. Sequer passa pela cabeça dos nossos parlamentares de “esquerda” que não há qualquer possibilidade, por mínima que seja, do Estado nacional semi-fascista investigar e punir os autores, não só deste atentado à produtora Portas dos Fundos, mas todas as ações que já foram praticadas e ainda irão acontecer.

A única forma eficaz de combater e derrotar a extrema direita, o fascismo e os golpistas – muito distante de exigir da PM e dos tribunais e seus juízes direitistas que façam isso – é a criação de centenas de milhares de comitês de auto-defesa, para enfrentar e impor uma uma derrota de conjunto ao regime, que caminha velozmente para uma ditadura abertamente fascista.

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