Antônio Carlos Silva

Natália Pimenta

Sobre a Natália

Membro do Comitê Central do Partido da Causa Operária (PCO), secretária de Organização e de Mulheres do Partido.

Coordenadora do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo e ex-integrante da Aliança da Juventude Revolucionária, pela qual militou no movimento estudantil e organizou greves e ocupações.

Estudou Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).

Fundadora da Secretaria Nacional de Agitação e Propaganda do Partido.

Palestrante e debatedora, é colunista do Jornal Causa Operária.

Frente Ampla

Não dá para combater o fascismo com as mãos atadas

Recorrer à burguesia chamada democrática contra a extrema direita é atar a mão dos trabalhadores, que são os únicos que podem de fato combater esse setor

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Quando analisamos a ascensão do fascismo nos mais diversos países, há um fator sempre comum a todos os casos. Trata-se da confiança que a esquerda pequeno-burguesa deposita na ala supostamente democrática da burguesia na luta contra o fascismo. 

Certamente por se achar fraca demais para isso, pela falta de confiança nos trabalhadores, a esquerda pequeno-burguesa não procura mobilizar a população, não trava ela mesma um combate aos fascistas. Em vez disso, espera que a própria burguesia, as instituições supostamente democráticas do Estado capitalista os eliminem.

Isso explica também o apoio desses setores às medidas repressivas da burguesia supostamente dirigidas à extrema direita. Essa esquerda vibra pensando que o Estado burguês vai segurar o monstro do fascismo. Sente-se aliviada, também.

Mas a história mostra que essa é uma esperança vã. Em primeiro lugar, se o fascismo cresce e toma o poder é porque ele recebeu apoio da maior parte da burguesia. Nesse cenário, aqueles representantes da burguesia que não aderiram ao fascismo simplesmente capitulam. Preferem entender-se com os elementos mais radicalizados de sua própria classe  a travar qualquer luta contra eles, já que para tanto precisariam inclusive do apoio dos trabalhadores. Ou seja, quando vêem que o fascismo já tomou conta do cenário político, simplesmente aderem ou se adaptam a ele.

No entanto, ignorando toda a experiência histórica, a esquerda pequeno-burguesa insiste na política errada e, para o movimento operário e os demais explorados, profundamente criminosa,  de apoiar as alas supostamente democráticas da burguesia contra a extrema direita. Essa tática é um velho integrante do repertório stalinista, uma variante da política de colaboração de classes que evoluiu das frentes populares da década de 1930 à colaboração direta com o imperialismo “democrático” norte-americano e inglês, em oposição à revolução proletária. Essa esquerda acredita que governantes e parlamentares burgueses, que falam em democracia da boca para fora, são efetivamente defensores da democracia (que na maioria dos países nem existe de fato). E isso conduz inevitavelmente à derrota. 

Democracia e ditadura são apenas duas faces que assumem o Estado burguês. Assim como o fascismo é mais um recurso da própria burguesia contra a classe operária.

No Brasil isso assumiu contornos grotescos. Parte da esquerda chegou a apoiar um candidato da antiga Arena, partido da ditadura, à prefeitura do Rio, e apoiou Baleia Rossi, do MDB, do chamado “centrão” para a presidência da Câmara dos Deputados.

O que se viu no entanto, é que boa parte do próprio “centrão”, que são na verdade os partidos da direita tradicional, que domina o regime político desde a ditadura militar, acabou apoiando o candidato bolsonarista.

Esse caso mostra claramente a inviabilidade da política de frente ampla, ou seja, da frente entre a esquerda e a direita tradicional contra o bolsonarismo. É uma frente que só pode se materializar por meio da submissão completa das lideranças e organizações operárias e populares ao comando dos partidos burgueses reacionários, desejosos de voltar a comandar o Estado sem serem acossados pelo movimento de massas, nem incomodados pelos inconvenientes de um presidente de extrema direita.

Essa direita mostrou que não é contra Bolsonaro, não quer a derrubada dele e nada vai fazer contra seu governo. Pior: já deixou claro que também não pretende permitir que ninguém faça nada. Para isso, apoderaram-se da palavra de ordem de “fora Bolsonaro”, separando-a da luta contra todos os golpistas – isto é, da luta contra eles mesmos – e usam uma campanha farsesca pelo impeachment para manter cativos os elementos da esquerda pequeno-burguesa que não vêem outra saída senão a “unidade com os setores democráticos contra o fascismo”.

A esquerda se desmoraliza aliando-se com seu inimigo e, apesar de se jogar nos braços da direita, é rejeitada por ela.

A única coisa que a direita pode querer da esquerda é que esta apoie seus candidatos, seus governos, segure a população para que esta não enfrente os governos burgueses que apesar de se dizerem democráticos acabam muitas vezes sendo mais prejudiciais à população do que governos como o de Bolsonaro.

A frente ampla tem essa única função: reabilitar a direita tradicional, muito enfraquecida, para que volte a governar o País com o aval da esquerda, usando Bolsonaro como pretexto. Uma manobra comum, mas que acaba atraindo a esquerda pequeno-burguesa como para um matadouro.

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A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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Às ruas por fora Bolsonaro, emprego e contra as privatizações - Análise Sindical (Reprise)

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