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“Macron Demission”,”ce n’est pas assez”, gritam franceses por toda a França. As palavras de ordem significam, no português, “Macron Demissão” e “Não Basta”. O regime semi-bonapartista da V° Republica francesa atualmente encabeçado por Emmanuel Macron treme diante às manifestações acaloradas. Embora cada vez mais Macron dobre-se às reivindicações dos manifestantes, o número de pessoas nas ruas e de reivindicações só aumenta.

O movimento extrapolou há muito as modestas demandas contra o aumento do diesel. Os secundaristas franceses fazem bloqueios em quase 500 escolas em toda a França e os universitário seguem o exemplo. As medidas neoliberais de Macron para aumentar o custo do ensino foi a gota d’água. Embora Jean-Michel Blanquer, Ministro da Educação Nacional e da Juventude, tente desassociar a mobilização dos estudanates com os coletes amarelos, para a maioria da população a similaridade é evidente. “Encontramos nos secundaristas, assim como nos coletes amarelos, o sentimento de não terem sido verdadeiramente consultados sobre as reformas que lhes diz respeito em primeiro lugar”, afirma um professor de Montreuil.

A V° República estabelecida pelo General de Gaulle delega ao presidente um poder político muito maior do que nas anteriores, o cargo de primeiro ministro torna-se quase insignificante. O presidente, além de nomear os ministros que governarão o país, tem o poder de dissolver a Assembleia Nacional. Sua influência sobre as demais esferas políticas dos poderes que regem a república é muito mais hegemônica. Assim sendo, o candidato dos banqueiro internacionais foi uma sacada do imperialismo para tomar de assalto o povo Francês e tentar estancar a crise econômica da burguesia às custas do aumento da exploração popular.

O povo enche as ruas das principais cidades do país, está sedentos por derrubar a política de massacre à população de Macron, e por isso não se contentam com as migalhas que o presidente vêm deixando na esperança de poder salvar a pele. Aumento do salário mínimo(SMIC), fim da taxação do imposto generalizado para aposentados (CSG), restabelecimento do imposto solidário sobre as fortunas (ISF), e demissão do presidente, esses e muitos outros são os objetivos dos que transformam a França num verdadeiro formigueiro.

A voracidade do povo Francês assusta a imprensa, os políticos e a intelectualidade francesa, esses setores encaram com medo o que eles mesmos avaliam como o possível fim da V° República. Por isso a maioria dos partidos, tanto da esquerda como da direita demoraram tanto para aderir às manifestações – se posicionar contra nessa altura do acontecimento significa o suicídio político -, e agora não conseguem levantar o Fora Macron. Enquanto a extrema-direita de Le Pen, que antes estava confiante vendo oportunidade de raptar o movimento, se entoca cada vez para que não respingue sobre ela o descontentamento dos manifestante com o regime político, a esquerda de Mélenchon, que subiu no barco demasiadamente atrasada, vocifera palavras de insurgência, mas falha em conseguir liderar o movimento e trazer uma pauta que de fato abarque as demandas da população insatisfeita. Ambos os lados preferem manobrar no parlamento.

Conforme avança a revolta, somam-se movimentos estudantis, sindicatos operários e partidos de extrema-esquerda, cresce a organização. Montpellier, Grenoble, Nice e Seine-et-Marne estão sendo palcos de agrupamentos para planejar as manifestações e as reivindicações, enquanto que nas universidade e nas escolas diversas assembleias são feitas para debater diretrizes e realizar os bloqueios. Ainda que sem uma verdadeira organização que consiga centralizar o movimento para derrubar definitivamente Macron, o imperialismo e a V° República, a revolta popular tem características genuinamente revolucionárias.

Na última vez que o presidente veio a público, sua fala foi revidada com “Não basta!”. A burguesia francesa encontra-se acuada e sem muita alternativa, a não ser implorar por passividade nos manifestantes que incendeiam a cidade, continuar cedendo até que a população se sinta satisfeita – o que pode resultar na total renúncia do regime -, ou botar o exército na rua e partir para um golpe militar, o que aumentaria o rebuliço e enfureceria ainda mais os franceses.

 

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