Demissões na Ford
Trabalhadores da Ford protestam contra as demissões. Contudo, não basta “chorar as demissões”, deve-se organizar greve e ocupação das fábricas para preservar os empregos.
Workers wearing face masks attend a general meeting with the labor union outside a Ford Motor Co plant, after the company announced it will close its three plants in the country, in Taubate, Brazil, January 12, 2021. REUTERS/Carla Carniel NO RESALES. NO ARCHIVES
Ford anunciou o fechamento das fábricas de Camaçari (BA), Horizonte (CE) e Taubaté (SP) | STRINGER, STRINGER | Crédito: REUTERS
Workers wearing face masks attend a general meeting with the labor union outside a Ford Motor Co plant, after the company announced it will close its three plants in the country, in Taubate, Brazil, January 12, 2021. REUTERS/Carla Carniel NO RESALES. NO ARCHIVES
Ford anunciou o fechamento das fábricas de Camaçari (BA), Horizonte (CE) e Taubaté (SP) | STRINGER, STRINGER | Crédito: REUTERS

Na quinta-feira (21), trabalhadores da Ford realizaram um protesto contra o fechamento da fábrica de Taubaté (SP). O ato começou por volta das 10h em frente ao prédio da concessionária. Cartazes denunciavam o fechamento das fábricas da Ford no Brasil e suas consequências, como o desemprego e miséria para milhares de trabalhadores e suas famílias.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região afirmou que o ato faz parte de uma série de mobilizações previstas para acontecer nos próximos dias. Aproximadamente 300 pessoas, entre trabalhadores e parentes, participaram.

Outro ato havia acontecido na segunda-feira (18), com a participação de 830 trabalhadores, que penduraram seus uniformes nas grades do entorno da fábrica. Em assembleia, eles decidiram manter uma vigília em frente a empresa e forçar a intervenção do poder público.

A Ford anunciou, no dia 11 de janeiro, o encerramento da produção nas fábricas de Taubaté (SP), Camaçari (BA) e Horizonte (CE). A unidade de São José dos Campos (SP) já havia sido fechada em meados de 2019. Estima-se que 12 mil trabalhadores direto serão demitidos, o que resultará na perda do emprego de outros 60 mil que participam da cadeia de produção dos veículos. Um levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), divulgado em 15 de janeiro, assinalou que até 118 mil empregos podem ser afetados no Brasil.

Em diversos locais do país e do mundo, trabalhadores realizaram manifestações em solidariedade aos demitidos da Ford. Na quinta-feira, na cidade de Canoas (RS), uma mobilização ocorreu em frente à concessionária Montreal Ford e foi convocada pelo Sindicato dos Metalúrgicos da cidade. Em São Paulo, sindicalistas e trabalhadores fizeram um ato em frente a uma concessionária da Ford. Até mesmo na cidade alemã de Colônia, metalúrgicos expressaram seu apoio.

Os protestos para “chorar as demissões” e lamentar os fatos não resolvem a situação. Tampouco é uma solução real para o problema lançar apelos para que as autoridades, como Jair Bolsonaro (ex-PSL, sem partido) e João Doria (PSDB), intervenham em defesa dos empregos. Os governos burgueses são cúmplices do imperialismo e promovem o desemprego, a retirada de direitos trabalhistas e previdenciários e enchem os bolsos dos grandes capitalistas com bilhões de reais em subsídios. A Ford recebeu um total de R$ 20 bilhões em subsídios por parte do poder público.

Somente uma grande greve com ocupação das fábricas pode impor uma derrota aos capitalistas da Ford. Além disso, a ocupação demonstra que a classe operária é a verdadeira dona dos meios de produção (prédio, instalações, máquinas) e é capaz de administrar coletivamente a empresa. Os capitalistas são parasitas que em nada contribuem com a produção de riquezas, pelo contrário, se apropriam individualmente da riqueza produzida socialmente.

No contexto da crise mundial do capitalismo, aprofundada pelos efeitos da pandemia do COVID-19, os capitalistas procuram jogar o ônus da crise nas costas da classe trabalhadora. Demissões massivas, cortes nos salários, fechamento de fábricas, destruição de direitos trabalhistas, intensificação da exploração e ataques aos sindicatos são algumas medidas implementadas pela burguesia em função de seus interesses.

As organizações operárias e populares, em particular a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que tem mais de 4 mil sindicatos pela base, devem organizar um amplo movimento de greve e ocupação das fábricas em resposta às demissões massivas. Não pode ser permitido que os capitalistas lancem a classe operária na mais absoluta miséria, o que significa sua desmoralização e degradação social.

Atualmente, os sindicatos são mais importantes do que nunca. Deve-se romper com a paralisia da burocracia sindical, que assiste passivamente a destruição das condições de vida da classe operária e de setores da economia nacional. Uma política de classe, independente da burguesia, é a condição para derrotar os ataques.

A política de lobby parlamentar da burocracia sindical se foca em procurar os deputados, prefeitos, governadores e demais políticos burgueses para tentar sensibilizá-los sobre as consequências do desemprego e da destruição econômica. Esta política sempre resultou na desmobilização dos trabalhadores e na derrota frente aos patrões. Cultiva-se uma ilusão na arbitragem do Ministério Público do Trabalho e da Justiça do Trabalho, como se as instituições jurídicas da burguesia fossem proteger os trabalhadores dos patrões.

Mobilizações, greves e ocupações são os métodos históricos de luta da classe operária.

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