Por uma mobilização nacional
Fim do auxílio emergencial e recorde de desemprego vai levar cerca de 100 milhões de brasileiros à “insuficiência alimentar”
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Fome atinge milhões e crianças são as maiores vítimas | Foto: Reprodução

No mês de novembro, o preço da cesta básica subiu em 16 das 17 capitais brasileiras analisadas na Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Apenas em Recife houve uma ligeira queda no custo da cesta , -1,3% em relação ao mês anterior.

Brasília, com +17,05%; Campo Grande, com +13,26% e Vitória, com +9,72%, foram as que registraram as maiores altas no mês, que foi puxada em todo o País pela disparada dos preços dos alimentos que já acumulam alta de mais de 40% ao longo do ano.

Segundo o Dieese, o arroz, o óleo de soja, a carne, o tomate e a batata – produtos essenciais na alimentação popular – foram os que tiveram alta expressiva na maioria das capitais.

Salário Mínimo  e alta do custo de vida

Depois dessas altas, a cesta básica mais cara do país é a do Rio de Janeiro, onde custava, em média, R$ 629,63 em novembro. Isso significa que para se adquirir apenas uma cesta básica seria necessário gastar mais de 60% do mísero salário mínimo nacional de R$ 1.045. O valor equivale também a mais de 200% do valor atual do minguado auxílio emergencial pago pelo governo federal a dezenas de milhões de brasileiros diante da situação caótica na pandemia e da falta de medidas de enfrentamento à ela.

Tomando como base o preço da cesta básica mais cara observada pela pesquisa, o Dieese estimou que o salário mínimo necessário para suprir as despesas de um trabalhador e de sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, seria de R$ 5.289,53 em novembro, o que corresponde a 5,06 vezes o mínimo atual. Valor que está abaixo do que estabelece a própria Constituição Federal (art. 7), uma vez que o Dieese adota percentuais fixos para as demais necessidades, a partir da cesta básica e que alguns ítens como alugueis e transporte, tiveram altas  bem acima da inflação no último período.

A alta do custo de vida, se expressa também em outros índices inflacionários, como o resultado da prévia da inflação de novembro, apontou um índice que é o maior dos últimos 5 anos. A prévia da inflação acumulada para novembro é de 4,22%, ultrapassando a meta do Banco Central de 4%.

Está evidente que a alta que se apresentava principalmente nos alimentos, espalhou-se em todos os grupos de produtos e serviços. Mesmo negando – sem base real – o risco de possível descontrole na inflação os “especialistas” reconhecem a tendência preocupante de de subida acelerada da inflação nesse final de ano e no começo em 2021.

Na economia brasileira há uma forte pressão do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) acumulado que alcança 31,05%, para aumentos dos preços e repasse desse aumento de custos ao consumidor. Esse aumento nos custos de produção tem seu lastro devido à desvalorização do real, ao endividamento do governo e à escassez de matéria-prima, principalmente para a retomada da economia em 2021, resultado da desastrosa política econômica do governo de super desvalorização cambial em benefício dos exportadores de matérias primas e de alimentos.

Esses custos ainda não foram totalmente repassados aos consumidores em razão da condição econômica do País, principalmente pelo forte presença do desemprego e queda dos salários, mas com as condições econômicas deterioradas como estão, sem perspectiva de melhora em breve é certo esse repasse de custos do atacado para o varejo, segundo previsão dos analistas. Em outras palavras, a conta virá para o povo.

Embora o aumento em novembro tenha sido generalizado, os preços dos alimentos e bebidas foram os que tiveram altas mais relevantes. Esses grupos tiveram uma alta acumulada 15,02% nos últimos 12 meses.

A situação tende a se agravar diante das vendas de fim de ano e da forte influência das importações nas mesmas. Em um País, como o Brasil, onde a maior parte dos minguados vencimentos da população se destinam à alimentação, o que temos aqui é uma política criminosa de expropriação da população trabalhadora.

Desemprego

Também no final de novembro, foi divulgado que a taxa de desemprego no Brasil alcançou a marca recorde de 14,6% no trimestre julho-setembro, ante 14,4% no período junho-agosto.

Este índice divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), equivaleria a 14,1 milhões de pessoas estiveram em busca de trabalho no terceiro trimestre, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua).

Tais números escondem outros recordes ainda mais desastrosos desde o início da série histórica em 2012. De acordo com o IBGE, o País teria  5,9 milhões de “desalentados”  –  aqueles que desistiram de procurar trabalho por falta de oportunidades e, portanto, não aparecem nas estatísticas de desemprego. Além disso, a população ocupada (82,5 milhões) atingiu o menor nível da série, com aumento de 11,3 milhões em relação ao terceiro trimestre do ano passado.

De acordo com o consultor André Perfeito, da consultoria Necton, “se a participação da população em idade ativa fosse a mesma do ano passado, a taxa de desemprego seria de 24,12%“. Além disso, a taxa de subutilização (pessoas que trabalham menos de 40 horas semanais por falta de propostas) é de 30,3%, um aumento de 24% na comparação com o mesmo período de 2019.

Em resumo, somando-de ao número oficial de desempregados, os “desalentados” e os “subutilizados”, teríamos mais de 50 milhões de trabalhadores em situação de desocupação, total ou parcial, uma verdadeira calamidade.

Fim do auxílio emergencial

Diante dessa situação calamitosa mais de 60 milhões de brasileiros chegar a receber o auxílio emergencial. Número que foi sendo drasticamente reduzido pelo governo ao longo de sua curta existência.

O governo que reduziu seu valor pela metade de R$ 600 para 300, em outubro), agora pretende extinguir-lo por completo no final desse mês, o que vai agravar ainda mais a situação de fome que já atinge a mais de 80 milhões de brasileiros, o maior percentual de nossa população de toda a história.

O governo ilegítimo de Jair Bolsonaro e toda a direita golpista que controla os Estados e a esmagadora maioria das prefeituras (o que foi reforçada;cado nas recentes eleições fraudulentas), obviamente, não está nem aí para essa situação. Unidos o “bolsonarismo” e a direita “científica” – maior vencedora das eleições – pretendem ratificar essa politica criminosa, em nome do controle dos gastos, cujo único objetivo é preservar os interesses dos bancos e outros monopólios capitalistas (e suas máfias políticas) que assaltam os cofres públicos, alimentado pelos impostos pagos pelos trabalhadores.

A realidade é que o país segue agonizando em meio às crises sanitária e econômica, sendo conduzido pelos golpistas a um verdadeiro caos social, o que preocupa parte da burguesia com a possibilidade de perda do controle social.

Por uma mobilização nacional

Passado o entorpecimento eleitoral e a fraude promovida pela direita, é preciso que a esquerda e as organizações de luta dos explorados levantem um programa e uma mobilização diante da perspectiva de aprofundamento da crise e do sofrimento do povo trabalhador.

A partir dos sindicatos, dos comitês de luta e dos setores da esquerda que se colocam pela defesa da independência de classe é preciso levantar um programa que contemple as reivindicações mais sentidas pelos trabalhadores diante da crise, junto com a luta contra o regime golpista, como é o caso da luta pela manutenção e ampliação do Auxílio Emergencial, com valor de um salário mínimo para todos os trabalhadores desempregados.

Dentre as medidas, é preciso colocar a luta pela reposição integral das perdas salariais e pela escala móvel dos salários, ou seja, por reajustes automáticos dos salários toda vez que a inflação alcançar 3%. É necessária também a luta por um salário mínimo vital, que suficiente para atender às necessidades do trabalhador e de sua família, que seja deliberado pelas organizações operárias e que hoje não poderia ser de menos de R$ 5,5 mil.

Uma questão central para fazer frente à política da burguesia golpista é a luta contra o desemprego, diante do que é preciso ocupar as fábricas e empresas contras as demissões e realizar uma mapa campanha pela redução da jornada para o máximo de 35 horas semanais (que todos trabalhem menos, para que todos possam trabalhar!).

Esta e outras medidas fundamentais de combate à fome e ao desemprego, só poderão ser conquistadas por meio de uma ampla mobilização, nas ruas, dos explorados e de suas organizações de luta, contra o regime golpista. Uma mobilização politica que precisa ter como eixos centrais a luta pelo Fora Bolsonaro, todos os golpistas e o imperialismo e pela reconquista dos direitos políticos do ex-presidente Lula, como parte da mobilização por uma alternativa própria dos trabalhadores diante da crise atual, a luta por Lula presidente, por um governo dos trabalhadores.

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