Não à prisão de Cesare Battisti! Entenda o caso de perseguição política contra o ativista italiano

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Nessa quinta-feira (13), o ministro golpista do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, determinou a prisão política do ativista italiano Cesare Battisti pela Polícia Federal a mando da Interpol (polícia do imperialismo, que manda, junto com a CIA, na Polícia Federal).

Hoje pela manhã a Polícia Federal já está em movimentação para, possivelmente, prender Battisti.

A imprensa burguesa, apoiando a perseguição a ele, diz que não foi encontrado em sua casa na cidade de Cananeia, próxima ao litoral de São Paulo.

O grande pretexto fraudulento para a prisão de Battisti, pretexto que sempre é encontrado pelo Estado para perseguir e reprimir opositores políticos, é “lavagem de dinheiro” e “evasão de divisas” quando ele tentou atravessar a fronteira do Brasil com a Bolívia no ano passado com 6 mil dólares não declarados.

Obviamente que essa é uma desculpa esfarrapada para prendê-lo e extraditá-lo para a Itália. Desde que chegou ao Brasil, em 2004, ele vem sendo perseguido pela direita.

Battisti era militante do grupo guerrilheiro urbano Proletários Armados pelo Comunismo, braço armado das Brigadas Vermelhas. Ele fazia parte do movimento que combatia o regime italiano pela luta armada, como uma forma encontrada por parte da esquerda italiana para se defender e derrubar uma ditadura que era, na prática, o regime da Itália. Nas décadas de 1970 e 1980, quando Battisti participou da luta armada, ainda controlavam o regime político italiano os descendentes diretos do fascismo de Benito Mussolini, que reprimiam brutalmente a classe trabalhadora e a esquerda daquele país.

Pela sua militância, sempre sendo perseguido pela extrema-direita que tomou conta do Estado, Battisti foi acusado de ter assassinado quatro pessoas e condenado à prisão perpétua. Ele sempre negou as acusações e se declara inocente. Sem condições de ficar na Itália, fugiu para o México e para a França, chegando ao Brasil em 2004.

Depois que as autoridades italianas, tão fascistas quanto as anteriores (o governo era de Silvio Berlusconi), descobriram o paradeiro de Battisti, ele foi detido em 2007.

Dois anos depois, o golpista STF autorizou a extradição do italiano, para entregá-lo ao regime e encarcerá-lo pelo resto da vida, com a possibilidade (ainda presente) de ser torturado e morto. A decisão final, no entanto, era do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que rejeitou no último dia de seu segundo mandato, em 31 de dezembro de 2010, a extradição e concedeu asilo a ele.

Com o golpe de Estado promovido pelo imperialismo, a situação política brasileira pende, agora, cada vez mais para a extrema-direita. O golpe derrubou justamente a ex-guerrilheira, Dilma Rousseff (PT), da presidência da República, e o regime tem se fechado cada vez mais, de uma forma absurdamente autoritária e repressiva. Lula, aquele que concedeu asilo a Battisti, também é vítima de uma feroz perseguição política, sendo preso sem provas e condenado a 12 anos e um mês de prisão, com seus direitos políticos totalmente suprimidos.

Dilma, por sua vez, também sofre atualmente uma férrea perseguição, igualmente com possibilidade de ser presa. E a mesma direita que apoia a tortura e a ditadura militar e defende a prisão e extradição de Battisti, acusa Dilma de ser terrorista.

Como todas as instituições do Estado estão nas mãos da direita golpista, patrocinada pelos EUA, o Brasil se tornou praticamente uma ditadura repressiva, e essas instituições, especialistas em perseguição política, já têm demonstrado que Battisti é um alvo dessa perseguição.

No mês passado, a funcionária do Departamento de Estado dos EUA, procuradora-geral Raquel Dodge, pediu ao STF adiantar o julgamento do processo de extradição de Battisti. Mais ainda, demonstrando seu caráter abertamente político de repressão à esquerda e em favor da extrema-direita, ela afirmou que é preciso prender Battisti e enviá-lo para os porões fascistas italianos.

Nesse sentido, ela ainda disse que a decisão do ex-presidente Lula – a quem tanto Dodge, quanto todos os membros do alto escalão do regime golpista consideram inimigo político – deveria ser revista. Lula deu asilo a Battisti, enquanto que Michel Temer, presidente golpista, se mostrou favorável a sua extradição.

Agora, com a autorização de Fux, ficará a critério do presidente da República a decisão ou não de extraditar Battisti. Caso Temer se pronuncie e esse respeito, provavelmente o enviará para a Itália. Mas, como ele está em fim de mandato, a estratégia da direita para colocar um fim “vitorioso” a esse processo de perseguição política deverá ser a espera pela posse do ilegítimo e igualmente golpista Jair Bolsonaro.

Bolsonaro já declarou em várias ocasiões que vai extraditar Battisti, o qual ele considera “terrorista”, enquanto seu ídolo é o torturador e assassino Carlos Alberto Brilhante Ustra, cujos crimes contra o povo brasileiro durante a ditadura militar foram comprovados. O político golpista é aliado do governo de extrema-direita da Itália, especialmente do ministro do Interior, Matteo Salvini, e essa “amizade” entre fascistas é garantia para o governo golpista de Bolsonaro entregar Battisti a seus carrascos italianos. Assim como Getúlio Vargas entregou Olga Benário à Alemanha nazista.

Diante da intensificação da perseguição política, e para evitar que Battisti tenha o mesmo fim que Olga (que morreu nas masmorras de Hitler), a esquerda brasileira deve se mobilizar desde já, de maneira prática, pela liberdade e contra a extradição de Battisti.