Não à destruição de Paranapiacaba

Uma empresa autorizada pelo governo do Estado de São Paulo de Geraldo Alckmin desmatará 910 mil metros quadrados de mata nativa em Paranapiacaba. Segundo o projeto, o Centro Logístico Campo Grande será um condomínio destinado a abrigar atividades de redistribuição de cargas, utilizando como meios de transporte a ferrovia e a rodovia na região de Paranapiacaba.

A área onde será implantado o condomínio é constituída por três glebas que totalizam mais de 4 milhões de m² do entorno da Vila. A Reserva Biológica Paranapiacaba é uma unidade de conservação de proteção integral administrada pelo Instituto de Botânica do Estado de São Paulo (IBESP), órgão cuja missão é o desenvolvimento de pesquisas botânicas visando subsidiar a política ambiental do Estado de São Paulo.

Além disso a região é uma unidade de conservação e forma um contínuo ecológico com o Parque Estadual da Serra do Mar e com o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba. A proteção da natureza é o principal objetivo dessas unidades, por isso as regras e normas são mais restritivas. Nesse grupo é permitido apenas o uso indireto dos recursos naturais; ou seja, aquele que não envolve consumo, coleta ou dano aos recursos naturais. Exemplos de atividades de uso indireto dos recursos naturais são: recreação em contato com a natureza, turismo ecológico, pesquisa científica, educação e interpretação ambiental, entre outras.

A legislação descreve que as categorias de proteção integral são: estação ecológica, reserva biológica, parque, monumento natural e refúgio de vida silvestre e o governador da Opus Dei está encaminhando um grande crime ambiental contra a histórica Vila de Paranapiacaba, que pertence ao município de Santo André e é governado pelo tucano Paulo Serra, que apoia tal destruição.

A seguir um resumo com alguns dos crimes que estão sendo planejados pelos capitalistas junto ao governo do Estado:

  • Perda de cobertura vegetal: será suprimida uma área de cerca de 91 ha de vegetação nativa, sendo aproximadamente 84 ha de vegetação secundária de Floresta Ombrófila Densa, nos estágios inicial e médio, além da supressão de 7 ha de vegetação de várzea. A perda da cobertura vegetal e retirada dos indivíduos de flora resultará na alteração das funções ambientais local e regionalmente.
  • Interferências em Áreas Protegidas: estão previstas intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APPs), com a supressão de vegetação nativa. A Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba e o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba são unidades de conservação adjacentes à ADA que serão influenciadas pela implantação e operação do empreendimento. O empreendimento está inserido também na APRM da Billings, em Zona de Amortecimento e Conectividade da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo e Zona de Amortecimento do PESM.
  • Interferências na Fauna Terrestre: dentre as interferências destacam-se a perda de indivíduos seja por atropelamento ou óbito durante a supressão de vegetação e obras de implantação, perda de hábitat, perturbação e estresse em decorrência do ruído e movimentação de máquinas, alteração comportamental de populações mais sensíveis às atividades antrópicas, maior vulnerabilidade da fauna silvestre às doenças infecciosas que possam vir do contato com animais domésticos ou fauna sinantrópica. Visto a presença de espécies raras da fauna silvestre, ameaçadas de extinção, bem como espécies endêmicas e florestais na área do empreendimento, esse impacto foi considerado de alta significância.
  • Interferências na Biota Aquática: as interferências diretas em APP para implantação de travessias, bem como a alteração na qualidade da água devem interferir na biota aquática. Apesar de ser um impacto pontual, é de alta relevância e significância, principalmente pela presença de espécies de peixes de pequeno porte, de distribuição restrita e elevado grau de endemismo e que apresenta forte interação e dependência da vegetação riparia. A área do empreendimento é peculiar, denominada “Alto da Serra”, local de cabeceiras onde existem diversas nascentes e ocorrência de diversas espécies de peixes ameaçados de extinção, endêmicas, raras e de distribuição restrita.

A construção de tal Centro Logístico está prevista para 2024, segundo informações apresentadas pelos capitalistas interessados no lucro e na destruição de importante área de preservação, a empresa Fazenda Campo Grande Logística e Participações, alega pretender colocar R$ 780 milhões para construção de um Porto Seco (Centro Logístico), para redistribuição de cargas por meio da integração rodovia/ferrovia. A revolta na região é grande, ambientalistas e moradores estão organizando protestos para embargar o projeto. O MDV – Movimento em Defesa da Vida- liderado por ambientalistas, junto com os moradores organizaram um abaixo assinado online, através da plataforma Changes. O ato “Não ao Centro Logístico Campo Grande! Queremos Paranapiacaba VIVA”, já conta com quase 8 mil assinaturas de moradores de Paranapiacaba e da região do ABC. Está marcada audiência pública sobre o empreendimento, promovida pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente, no próximo dia 12 de abril, às 17h, no Tênis Clube Santo André.
Os moradores da região devem se organizar para enfrentar os capitalistas e o governo Geraldo Alckmin, com amplas mobilizações populares, este ataque é mais um dos exemplos do avanço da direita contra as populações pobres do país e seus recursos naturais. É necessário o levante popular para enfrentar a direita capitalista inimiga do povo.