Nada de política nas eleições

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No dia do registro da candidatura de Lula, 15 de agosto, quando Brasília foi tomada por um enorme ato em defesa do ex-presidente, o site do UOL, braço na internet da Folha de S. Paulo, publicou uma matéria com uma manchete muito esclarecedora sobre o que pensa a direita golpista sobre a política: “Com Lula preso, PT transforma registro de candidatura em ato político”.

A burguesia decadente quer privar o trabalhador da participação política. Por motivos óbvios, se a maioria do povo decidir agir politicamente, ou seja, de amaneira consciente, o domínio da burguesia cairia em poucas horas. Por isso, a ideologia de que o povo deve ser privado da política é disseminado em todas as esferas da vida social. Ao povo caberia apenas votar, desde que a eleição seja estritamente controlada pela burguesia, caso contrário, o regime político é fechado e nem mesmo às eleições o povo tem direito.

A burguesia, então, defende a arte sem política, o esporte sem política, o sindicato sem partido e sem política, a educação sem política, o que gerou a moda do momento que é a defesa da escola sem partido pela direita golpista brasileira. Sendo assim, naturalmente o trabalhador também não tem direito de ter seu próprio partido e deve deixar a política para a uso estritamente da burguesia.

A manchete do UOL do dia da candidatura de Lula pode ser absurda, e é, mas mais ainda revela o que a burguesia golpista brasileira está planejando para o País. Acabar até mesmo com as eleições, até mesmo com a fachada de democracia que existe.

Pode parecer exagero, mas não é. A legislação do TSE não permite que se faça nada em relação à campanha política, a não ser aquela que está sob o restrito controle do monopólio da imprensa golpista, ou seja, só aparecem os candidatos da burguesia. A lei é tão restritiva que é praticamente uma lei de censura, de mordaça em plena eleição, que deveria ser o momento de maior discussão política.