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RCP: “Lugansk vive um governo operário”

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Uma confusão política

A esquerda e o golpe (3): “lutar contra os ajustes de Dilma”

Em plena ofensiva golpista, setores da esquerda como o PSOL e Guilherme Boulos, se recusavam a chamar a luta contra o golpe e levantavam a luta contra os ajustes do governo

Faixa do MTST de Guilherme Boulos em 2015: confusão – Arquivo

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Passados quatro anos desde que a presidenta Dilma Rousseff foi derrubada por um golpe de Estado, todos os setores da esquerda se apresentam como grandes lutadores contra o golpe e a direita. Quem não se lembra daquela época, facilmente se engana pela auto propaganda feita por setores da esquerda, que procuram se apresentar como verdadeiros heróis do combate à direita.

Mas para quem conhece a história, a coisa está muito longe desse heroísmo todo. Boa parte da esquerda se recusou a reconhecer sequer que havia uma ameaça de golpe de Estado. Mas a capitulação da esquerda pequeno-burguesa foi muito além da simples negação do golpe.

Houve quem não apenas se recusasse a acreditar no perigo de golpe, como se decidiu adotar uma política contra o governo do PT. O caso mais exemplar foi a palavra de ordem de “luta contra os ajustes de Dilma” levantada por setores como o PSOL e Guilherme Boulos.

Antes de explicar a posição dessa esquerda, é preciso lembrar que a direita já tinha deixado clara a sua política golpista – embora já desse claros sinais anteriormente – pelo menos desde o resultado das eleições de 2014.

A direita coxinha estava saindo nas ruas em manifestações artificiais impulsionadas pela imprensa golpista e os partidos da direita, pedindo o impeachment de Dilma Rousseff. Tais atos deixavam bastante claro o golpe.

Diante do óbvio perigo, a esquerda passou a articular uma contra manifestação contra a direita. À frente desse manifestação estava a CUT como grande organização de massas, sindicatos, além do MST e de partidos como o PT e o PCO.

Tais articulações esbarraram em algumas dificuldades. A principal delas estava na insistência de setores em levar adiante uma mobilização concentrada de forças contra a direita golpista. Veio de setores do PSOL e de Guilherme Boulos a política de transformar a manifestação em uma denúncia contra os ajustes fiscais de Dilma Rousseff.

Essa política era um ataque à consolidação de uma frente única de luta contra o golpe, gerando confusão em uma parcela da esquerda.

Naquele momento, Boulos e o PSOL se apoiavam na política levada pelo governo do PT que, pressionado pela ofensiva golpista, cedia terreno para a direita, abrindo espaço para uma política de ajustes e colocando como ministro da Fazenda um representante dos bancos, Joaquim Levy.

Esse foi o pretexto para que a esquerda pequeno-burguesa, liderada por Boulos, colocasse em marcha uma política confusa e diversionista. Era preciso “lutar contra os ajustes de Dilma” e não lutar contra o golpe.

Alguns setores da esquerda chegaram a dizer que o golpe não passava de “histeria” do PT para colocar o povo na rua para defender o governo, ou seja, na realidade, o golpista era o próprio PT, que inventava um golpe que não existia para angariar apoio ao governo. Outros, como Guilherme Boulos, chegou a afirmar em entrevista que o governo Dilma era “indefensável” e tinha colunas regulares na golpista Folha de S. Paulo onde defendia coisas desse tipo.

Mesmo com essa confusão política, finalmente a primeira manifestação contra o golpe foi para a rua. O conteúdo real da mobilização era a luta contra o golpe, mesmo assim, Boulos e setores do PSOL saíram nas manifestações ignorando a palavra de ordem contra o golpe e levando a crítica aos ajustes de Dilma.

Passados mais de cinco anos dessa primeira grande manifestação contra o golpe, muitos podem não compreender qual a importância do debate naquele momento. Cinicamente, ainda hoje alguns setores da esquerda tentam justificar a “luta contra os ajustes” como uma crítica à esquerda do PT. Nada poderia ser mais falso.

Diante da ofensiva golpista, que, como já dissemos, era bastante óbvia naquele momento, a política correta na esquerda era levar adiante uma luta contra o inimigo comum. Era necessário formar entre todas as organizações da esquerda uma frente única contra o golpe e a direita. A crítica à política errada do PT no governo não poderia ser substituída pela confusão na hora da mobilização real, nas ruas.

Já deveria estar claro naquele momento que os ajustes que o governo do PT tentava fazer sob pressão da direita não impediria a direita de avançar, era, isso sim, uma armadilha da direita que procurava minar cada vez mais o governo. Além disso, ficava claro que qualquer ajuste fiscal que fizesse o governo do PT pareceria uma brincadeira de criança perto da hecatombe promovida pelos golpista caso fossem bem sucedidos. Hoje, passados os governo Temer e Bolsonaro, não dá para ter nenhuma dúvida desse fato.

A palavra de ordem de luta contra o golpe era a única capaz de unificar a esquerda e estabelecer um movimento político para enfrentar a ofensiva golpista. Ao levantar o problema dos ajustes de Dilma, essa esquerda acabava se aliando com a direita no plano política e gerando confusão dentro do movimento. É como se em uma luta de trincheiras, um soldado começasse a ofender um aliado ao invés de juntar o máximo de forças para atacar o inimigo.

A esquerda pequeno-burguesa se recusava a aceitar o óbvio, e por que?

A explicação se encontra em pelo menos duas questões fundamentais: primeiro, a esquerda de classe média estava naquele momento sob influência da campanha incessante contra o PT. Essa esquerda – e até mesmo o próprio PT – chegou a acreditar que o governo era impopular, corrupto etc. Por isso, facilmente caíram nas armadilhas plantadas pela direita.

Em segundo lugar, uma parte da esquerda, em particular o PSOL e seus aliados menores como o PCB e o PSTU (esse tão radicalmente golpista que se alinhou à direita) se recusavam a sair nas ruas para lutar contra a direita e o golpe pois acreditavam que isso seria “defender o governo do PT”, ou seja, uma mobilização massiva contra o golpe atrapalharia os planos desses partidos de se apresentarem como substitutos eleitorais do PT. O comportamento do PSOL nas eleições atuais fica claro o que isso significa. O problema é que essa “concorrência” com o PT era na realidade uma busca por uma apoio nos setores da classe média pseudo esquerdista que acreditava na campanha golpista da imprensa. Basta um olhar apurado sobre o PSOL de hoje para entender que essa é exatamente a base social do partido.

Capa do jornal de abril de 2015 da corrente CST do PSOL

Várias manifestações, cada vez maiores, se sucederam contra o golpe. A palavra de ordem contra o golpe se impôs, na realidade, sempre foi majoritária entre as pessoas que saíam nas ruas. A “luta contra os ajustes” foi atropelada pela mobilização, mas serviu como um fator de confusão política, influenciando setores da esquerda pequeno-burguesa dentro do movimento.

Hoje, com o golpe consumado, Guilherme Boulos, PSOL, PCB e outros querem mostrar que foram os maiores lutadores contra a direita e, o que é ainda mais cínica, os maiores aliados de Dilma e de Lula. Quem acompanhou a história não se engana. Nas próximas partes da série falaremos sobre outra cartada divisionista de Boulos e do PSOL que serviu como fator de confusão da luta que foi a criação da Frente Povo Sem Medo, uma frente artificial para não se misturar com o PT.

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