Liberdade de fachada
Na terra da “liberdade”, operários pagam mais impostos que ricos
A liberdade econômica que os neoliberais tanto defendem, usando os EUA como modelo, nada mais é do que fazer os trabalhadores pagarem a conta da burguesia
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Liberdade de fachada
Na terra da “liberdade”, operários pagam mais impostos que ricos
A liberdade econômica que os neoliberais tanto defendem, usando os EUA como modelo, nada mais é do que fazer os trabalhadores pagarem a conta da burguesia
Sem-teto em Los Angeles, segunda cidade com mais moradores de rua nos EUA. Foto: Mike Blake
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Sem-teto em Los Angeles, segunda cidade com mais moradores de rua nos EUA. Foto: Mike Blake

O capitalismo é sempre implacável com os trabalhadores, colocando nas costas de quem produz a riqueza mundial o peso das crises. Assim mostra um estudo dos economistas Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, publicado no livro “O triunfo da injustiça” e que analisa os impostos efetivos dos norte-americanos desde 1960, também de autoria deles. O estudo conclui que em 2018, a pequenina parcela bilionária da população dos EUA pagou menos taxas do que a classe trabalhadora. No último ano, a média de impostos pagos pelas 400 famílias mais ricas dos EUA era de 23%, ao passo que a média de impostos pagos pela classe trabalhadora ficou em 24,2%.

Esse estudo sobre a carga tributária nos EUA não esconde a realidade do país, onde o capitalismo imperialista opera de forma genuína, algo que se reflete em todos os serviços privados e que deveriam ser públicos, como a saúde, onde as pessoas preferem não ir aos hospitais pois não têm dinheiro para pagar as contas absurdas no fim. Além do mais, não é surpresa os trabalhadores pagarem mais taxas e impostos do que os ricos, afinal, é assim que a burguesia se sustenta, na exploração dos mais pobres.

Os economistas ainda concluem que são as poucas famílias bilionárias que controlam uma parcela extremamente desproporcional da riqueza nacional, algo que também não é surpresa para quem está à esquerda desse debate ou que é trabalhador e sente na pele as oscilações da economia no neoliberalismo. Pelo que o estudo estudo indica, há 400 principais famílias nos EUA que detêm mais riqueza do que 60% da população trabalhadora estadunidense junta, enquanto os 0,1 mais bilionários do país possuem mais riqueza acumulada do que 80% da classe trabalhadora. Essas análises são provenientes de pesquisas em cima dos impostos federais e corporativos sobre a renda, assim como os impostos pagos estadual e localmente.

Essa discrepância em distribuição de renda no “país da liberdade” é exemplo claro da premissa de que não existe almoço grátis no capitalismo. Os EUA gostam de se exibir como país democrático, onde todos tem oportunidades, que a vida é mais fácil e leve, contudo, a realidade é bem ao contrário, essa democracia cinematográfica só serve para quem tem uma estabilidade financeira e é rico, do contrário, você será tratado como cachorro e o máximo que vai conseguir é um subemprego em algum fast-food.

O fato dos trabalhadores pagarem mais impostos do que os donos dos meios de produção mostra, explicitamente, que esse é o significado de “liberdade econômica”, em outras palavras, os capitalistas terem a liberdade de superexplorar e roubar os trabalhadores. A liberdade econômica que os neoliberais tanto pregam significa nada além de explorar e escolher a dedo quem pagará a conta da burguesia no fim da festa, ou seja, quanto mais a população trabalha, mais os ricos podem desfrutar de uma vida luxuosa e confortável, é uma lógica inerente ao capitalismo.

Sem apertar a corda no pescoço de quem produz a riqueza e fazê-los pagar a mais por isso, além de receber baixos salários, não teria como a burguesia se sustentar. Por isso, o objetivo final da luta do proletariado deve ser pela derrubada do capitalismo, a fim de se livrar dos grilhões da exploração que estarão no caminho, e quanto mais os trabalhadores perceberem essas contradições, mais condições eles terão de se levantar para acertar as contas com as classes dominantes.