Copa Libertadores da América
Em jogo difícil, Flamengo consegue a virada nos minutos finais e sagra-se bicampeão da Libertadores. Gabigol brilha com os gols da vitória.
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Jogadores do Flamengo levantando a taça da Copa Libertadores 2019 (Foto: Luka Gonzales/AFP) |

Neste sábado, dia 23 de novembro de 2019, o Flamengo conquistou a sua segunda Copa Libertadores da América, em partida única disputada contra o River Plate, da Argentina, tetracampeão do torneio, além de vencedor da última edição.

Inicialmente previsto para o Estádio Nacional, em Santiago do Chile, o jogo, devido aos massivos protestos populares contra o governo pró-imperialista de Sebastián Piñera, foi transferido para o Estádio Monumental de Lima, no Peru, considerado o maior estádio da América do Sul, com capacidade para mais de 80.000 torcedores.

Trinta e oito anos depois da histórica conquista da geração de Zico, Júnior, Leandro, Adílio & Cia., obtida em 1981, o Rubro-Negro carioca, agora liderado por Bruno Henrique, Gabigol, Gerson, Rafinha e Filipe Luís, levanta a taça da principal competição do continente e se iguala a Cruzeiro, Internacional e Atlético Nacional, da Colômbia, todos com duas conquistas da América.

Com o resultado, o time carioca tem agora a chance de repetir a caminhada de 1981, enfrentando o Liverpool, da Inglaterra, atual campeão europeu, no Mundial de Clubes da FIFA, que será realizado entre os dias 11 e 21 de dezembro, no Catar.

O jogo

O Flamengo começou a partida controlando as ações. Os primeiros minutos do jogo foram da equipe brasileira, que ficava com a bolava, jogava no campo de ataque e impunha o habitual ritmo de jogo que lhe valeu a liderança isolada no Campeonato Brasileiro.

Time experiente, o River Plate, desde o início, reconheceu a qualidade do seu adversário. Marcelo Gallardo, treinador multicampeão e ídolo do clube, nos dias que antecederam a final, afirmou em mais de uma oportunidade que enfrentaria um rival “muito forte”, “muito poderoso”, e que “está em seu ponto mais alto de rendimento.” A partida revelou com clareza que todo o jogo do time argentino se apoiou em anular as principais qualidades da equipe carioca.

Após os primeiros minutos de domínio rubro-negro, o River começou a pôr em prática aquilo que planejou originalmente. O objetivo consistia em pressionar com agressividade os homens da saída de bola do Flamengo, a fim de impedir que os brasileiros dominassem o meio-de-campo e o ritmo do jogo, ao mesmo tempo em que permitia aos argentinos recuperar a bola em local mais próximo do gol adversário e, assim, acionar, com passes verticais, os seus rápidos atacantes.

Adiantando a marcação e pressionando a saída de bola flamenguista, o River começou a ocupar mais o campo de ataque. Aos 14 minutos do primeiro tempo, após roubada de bola no campo de ataque, o meio-campista Enzo Perez, do River, tocou no flanco direito para Nacho Fernández, que cruzou para Borré abrir o placar, aproveitando a indecisão de Arão e Gerson na interceptação do cruzamento.

O gol impactou o time brasileiro, que perdeu a tranquilidade e não conseguiu ameaçar o adversário durante o restante do primeiro tempo.

O Flamengo voltou ligeiramente melhor no segundo tempo, mas nada que alterasse substancialmente a tônica do jogo. Apesar de criar algumas chances de gol, como uma logo aos 11 minutos, quando Bruno Henrique invadiu a área pelo lado esquerdo, tocou para o meio, Gabibol teve sua finalização bloqueada, e Éverton Ribeiro, com o pé direito, chutou para a defesa do goleiro Armani, o Rubro-Negro ainda apresentava as mesmas dificuldades para sair da marcação argentina. Mesmo um pouco mais recuado, o River se mostrava perigoso, com alguns lances rápidos de contra-ataque.

O jogo se encaminhava para o final e dava sinal de que terminaria 1 a 0 para Los Millonarios. Mas, como o jogo só termina quando o juiz apita, a virada veio de relance e de forma quase inesperada. Em cerca de 3 minutos, o Flamengo tirou da cartola uma virada histórica. Aos 43 do segundo tempo, Bruno Henrique recebe pela esquerda, puxa para dentro e enfia em profundidade para Arrascaeta, que consegue cruzar de carrinho para Gabigol só empurrar para as redes.

O gol do Flamengo, a poucos minutos do fim da partida, deixou incrédulos os jogadores e o técnico do River Plate. A zaga argentina que o diga… Aos 46 minutos da etapa final, após um lançamento em direção ao ataque flamenguista, o zagueiro e capitão do River, Pinola, bate roupa e a bola sobra à feição para Gabigol fuzilar e garantir a vitória e o título para o time brasileiro.

O artilheiro ainda seria expulso junto com Palacios. Nada, porém, que estragasse a sua atuação. O camisa 9 do Flamengo terminou, assim, como o artilheiro da Libertadores, com 9 gols marcadas na competição.

Jesus salvou o Flamengo?

A imprensa esportiva capitalista, lacaia do imperialismo mundial e em plena campanha contra os treinadores brasileiros, não demorou a falar em conquista com “sotaque europeu”. Os órgãos burgueses mais cínicos ainda destacaram como principal motivo da virada rubro-negra a “conversa de Jesus [nos vestiários] que mudou Fla.”

O que a final da Libertadores deixou mais do que evidente foi o papel absolutamente secundário do treinador português na conquista flamenguista. O Flamengo apresentou dificuldades para desempenhar o seu futebol durante a maior parte do jogo, e as intervenções do tão elogiado Jorge Jesus foram nulas. Suas alterações no segundo tempo não tiveram o mais remoto efeito. Mudanças táticas não ocorreram. A saída do meio-campista Gerson, por lesão, e a entrada de Diego foram obra da necessidade e da urgência. O River Plate impôs sérios obstáculos à vitória do Flamengo, e a superação deles não partiu da mente brilhante do português, nem de uma milagrosa conversa que o treinador teria tido com os jogadores no intervalo do primeiro para o segundo tempo. Os gols da virada foram produto da iniciativa, da persistência, da garra e do oportunismo dos jogadores do Flamengo, e não de qualquer determinação tática ou planejamento estratégico do chamado “Mister”. Na verdade, é possível dizer que o River Plate anulou todas as festejadas virtudes de Jesus — seu esquema tático moderno, sua linha alta, sua compactação, sua intensidade alta, sua movimentação ofensiva constante etc. O que o River não conseguiu anular, pelo menos por alguns poucos minutos, foi Gabigol, Bruno Henrique e seus companheiros.

Na raça, na marra, com tenacidade, o Flamengo sagra-se campeão da América. Mais do que tudo, trata-se de uma vitória dos jogadores brasileiros, do futebol brasileiro e da cultura brasileira.

 

 

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