Na CCJ, fracassa manobra de Bolsonaro para nomear mais ministros do STF
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Na CCJ, fracassa manobra de Bolsonaro para nomear mais ministros do STF
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Nesta terça-feira, 23 de abril, foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados a reforma da Previdência. A reforma, porém, não veio com todas as medidas que eram esperadas pela extrema-direita, pelos banqueiros e pelo imperialismo. Vários pontos foram alterados pelo “centrão” da Câmara nessa última votação, descaracterizando bastante a PEC, entre eles um que era muito importante para Bolsonaro: a diminuição da idade mínima para a aposentadoria compulsória dos servidores públicos de 75 para 70 anos.

O objetivo da aprovação desse ponto era garantir a possibilidade de Bolsonaro indicar ministros para o STF que fossem de sua preferência, tendo em vista que, com a alteração, duas vagas seriam abertas: a de Ricardo Lewandowski e de Rosa Weber. Porém, por conta das contradições internas dos setores da direita golpista, Bolsonaro foi impedido de passar essa medida na CCJ da Câmara.

Esse episódio é mais um sintoma da luta política que é travada entre os diferentes setores da direita no Brasil. De um lado, o STF apoiado por uma parcela da burguesia ligada aos interesses nacionais e, de outro, o setor representado mais diretamente pela Lava-Jato, ligado aos interesses da burguesia internacional. Com a possibilidade de alterar a composição do STF, Bolsonaro visava interferir nessa luta a seu favor, mas seus oponentes políticos com maior presença na Câmara dos Deputados conseguiram impedir que isso fosse passado.

A esquerda deve se aproveitar dessas contradições internas do governo ilegítimo para mobilizar a população contra a reforma da Previdência, afinal os trabalhadores contribuem durante sua vida inteira para o fundo previdenciário e o que o governo planeja fazer é transferir uma parte desse fundo para o bolso dos banqueiros, o que configura um roubo absurdo. Além disso, a mobilização deve se enfrentar com o governo a fim de derrubá-lo, através das palavras de ordem de “Fora Bolsonaro” e “Liberdade para Lula”, dando uma possibilidade de luta unificada contra todos os ataques vindos dos golpistas.