Quem é o melhor carrasco ?
A burguesia está em uma guerra interna para decidir quem comandará a Câmara dos Deputados, e a esquerda, em vez de se posicionar de forma independente, escolhe pelo “mal menor”
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Rodrigo Maia, principal articulador do bloco do centrão | Foto: Evaristo Sá/AFP

Vetada a possibilidade de Maia concorrer novamente para a presidência da Câmara, restou a dúvida de quem será a ala da burguesia que comandará os parlamentares. Trata-se de uma decisão importante em meio à crise que se encontra o governo Bolsonaro e as perspectivas de aprofundamento da crise econômica. A burguesia lançou 3 candidatos para concorrer ao cargo, um pior do que o outro para a população. Diante disso, a esquerda parlamentar segue sua cartilha política falida e vexaminosa, cuja sabedoria conhecemos bem: escolher o “mal menor”, mesmo que a diferença entre os males seja o tamanho da lâmina que será usada para degolar o povo.

Essa política do mal menor nunca fez sentido, além de nunca trazer nada de positivo para a classe trabalhadora. Nesse caso é até difícil de prever o malabarismo retórico para justificar o voto em qualquer um dos 3 candidatos; nenhum deles tem sequer uma mínima roupagem progressista. Absolutamente todos são elementos venais da direita golpista.

Os teóricos da esquerda idealizam uma frente ampla com setores da direita mais progressistas que, na prática, nunca tiveram nada de progressista. São os responsáveis pelo golpe, pela eleição de Bolsonaro, pelo plano econômico de destruição do País, pela perseguição a Lula, e, consequentemente, a toda a esquerda. O golpe foi apoiado inclusive por setores que reivindicam-se do campo da esquerda, como PSB e PDT. Para os golpistas da direita o interesse é salvar a burguesia em detrimento do trabalhador, para os da esquerda o interesse é preservar os interesses individuais de figuras parlamentares. Nesse caso as negociações com Maia, as alianças com a direita científica (aquela que teoricamente teria enfrentado Bolsonaro na questão do coronavírus e é composta por Doria, Witzel, Maia e outras figuras do centrão), e a tão aclamada frente ampla cumprirão o papel que já se mostrou capaz de cumprir durante as eleições municipais: isolar a esquerda ligada a Lula e ao movimento operário, e colocar à esquerda a reboque da direita.

Na Câmara o apoio da esquerda a qualquer um dos candidatos ao cargo de presidente significará o chancelamento, a cumplicidade dos violentos ataques ao povo que esse candidato irá promover. Inaceitável.

O melhor carrasco

Um dos candidatos é Arthur Lira, representante da oligarquia mais atrasada do nordeste, filho de Benedito Lira (PP), ou comumente conhecido como Biu (ex-senador por Alagoas e prefeito de Barra de São Miguel pelos os próximos 4 anos). O deputado é o favorito de Bolsonaro e já conta com o apoio da ala bolsonarista do PSL. O candidato diz querer acabar com as ideologias por trás da vacina, surfando na onda dos “científicos” e abriu um verdadeiro “balcão de negócios”, nas palavras de Rodrigo Maia, para garantir o apoio necessário à sua candidatura.

Parte do PSB já havia declarado apoio ao candidato, o que gerou um enorme constrangimento para o partido que se reivindica como esquerda, levando à direção do partido a publicar uma nota aconselhando os deputados a não votarem em alguém apoiado pelo governo, pois o partido seria oposição. Ou, como disse cinicamente Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da sigla na Câmara: “partido de oposição não pode apoiar candidato do governo. É preciso preservar a independência da Câmara e proteger o Brasil de Bolsonaro”.

Outro candidato é Marcos Pereira (SP), presidente nacional do Republicanos, que rompeu com o bloco de Maia e decidiu lançar sua candidatura própria. O deputado era um dos nomes cotados para ser apoiado por Maia, porém, teria desistido do bloco liderado pelo atual presidente na medida em que o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) estaria sendo favorecido por Maia.

Ao se reunir com seu partido na Câmara na manhã da última quarta-feira (9), Pereira disse que decidiram “não aderir ao bloco do Maia” porque não vão “entrar em um jogo já jogado” e que “esse jogo já está todo combinado”.

Segundo a imprensa burguesa, o candidato está em conversa com o Planalto sobre possíveis cargos e favores para apoiar a candidatura de Lira. Fica evidente que essa candidatura é uma tentativa de se atrelar ao bloco que se apresentar como o mais forte no último momento. O seu partido não entrou em nenhuma coligação ainda e está à espera de precisar apoiar o escolhido de Maia ou Lira.

Por fim, temos o candidato ainda não definido do bloco de Rodrigo Maia, que embora ainda não tenha uma face já está com um importante apoio formado. O atual presidente da Câmara costurou uma aliança com figuras do PSL, MDB, PSDB, DEM, Cidadania (ex-PPS, antigo PCB) e PV somando 157 deputados.

O posicionamento do PT e os ideólogos da pequena burguesia

O Partido dos Trabalhadores, maior bancada da Câmara, ainda não tomou nenhuma decisão referente a quem apoiar. Publicou uma nota vaga sobre o assunto onde alega que:

  1. “A Comissão Executiva Nacional será convocada, juntamente com as bancadas, quando houver necessidade de deliberação sobre o tema”
  2. Dois compromissos devem ser seguidos para que se possa construir uma unidade
    1. “compromisso com uma agenda mínima contra retrocessos no campo dos direitos e da pauta econômica para o país”;
    2. “cumprimento da proporcionalidade entre os partidos na ocupação dos espaços de direção e comissões nas Casas do Congresso e nas relatorias das matérias legislativas”

O posicionamento dá margem para uma interpretação subjetiva e demonstra que o partido está sendo pressionado por seu setor mais direitista para apoiar um dos três candidatos. Os ideólogos da pequena burguesia defendem que contra Bolsonaro vale qualquer um. Uma ideia absurda, mas o motor dos pequeno-burgueses defensores da frente ampla.

A burguesia está em uma disputa interna para controlar a Câmara e sobretudo para garantir 2022. Suas diversas alas estão se deparando com contradições oriundas da crise política, econômica e social do País. A disputa se dá em todos os níveis, entre um setor do centrão e Bolsonaro, entre setores bolsonaristas e dentro do balaio de gatos conhecido como centrão. O objetivo é garantir a política neoliberal no Brasil e preservar muitos cargos públicos para a direita. Nenhum vencedor dessa disputa reservou um pedaço de bolo, por menor que seja, para a esquerda ou para o povo.

Para ganhar o voto da esquerda frente-amplista, basta que os jornais da burguesia deem uma embelezada no candidato. Essa política fez com que a esquerda defendesse Maia, que em algum momento esteve (teoricamente) contra os “abusos” do governo Bolsonaro, apoiar Paes contra Crivella no Rio de Janeiro, e muitos outros absurdos, porém ambos os citados, e todos os elementos direitistas apoiados pela frente ampla estiveram envolvidos na eleição de Bolsonaro, e ainda apoiam o presidente quando é preciso.

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