Na Bahia cenográfica da Globo, só tem branco

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A rede Globo, em sua nova novela das nove, transformou a cidade de Salvador, na Bahia, Estado com o maior percentual de população negra do país, em uma cidade parecida com qualquer cidade do Sul do país; branca. Segundo sol, novela de João Emanuel Carneiro que tem Giovanna Antonelli e Emílio Dantas  (brancos) como protagonistas, conta com apenas cinco personagens negros (totalmente secundários).  A farsa é a mesma que a Globo produziu ao promover os “coxinhatos”na Bahia, onde só se via pessoas brancas, de classe média para cima, golpistas pedindo o impeachment.

O Ministério Público do Trabalho enviou uma notificação recomendando a maior representação social, após críticas a rede golpista em nota disse: “ … vamos trabalhar para evoluir e as questão”. A rede globo como um dos elementos mais fundamentais da burguesia brasileira em estreita relação com o capital imperialista cumpre um papel central, do ponto de vista político e ideológico, na na opressão do povo negro.

Alguém poderia argumentar que trata-se de uma ficção e não dá realidade, é evidente. Contudo, em se tratando da rede Globo, essa cumpre sempre o seu papel, e nesse sentido não é mera coincidência ou ficção, mas uma concepção racista a que toda novela, autor e ator deve se submeter. Concepção essa veiculada amplamente.

O negro no Brasil constitui um população “especial”, existem como uma nacionalidade oprimida dentro do Estado nacional pela burguesia que controla este Estado. A Globo não só faz parte dessa burguesia como contar ativamente para impor ao negro uma situação de inferioridade real, econômica, política, social, cultural, etc., a novela expressa essa política geral da rede Globo, propagar o embranquecimento da sociedade é em si contribuir para prender o negro no gueto.

Outra questão é a chamada representatividade, segunda a qual basta que a imprensa representa bem e mais amplamente o negro, para que este tenha seus direitos políticos econômicos e sociais conquistados. É uma política inócua e capituladora diante do regime capitalista, no entanto também se mostra impossibilitada diante dos monopólios de comunicação.