“Mulheres nasceram para ser mães”, esse é o programa dos golpistas impostos pela fraude eleitoral

miistra pastora

Apontada como futura ministra dos Direitos Humanos, da Igualdade Racial e das Mulheres, do governo  ilegítimo de Jair Bolsonaro, a pastora evangélica e advogada Damares Alves diz que “mulher nasce para ser mãe”.
A atual assessora do senador Magno Malta, tem padrinho forte entre os golpistas e por conta disso é apresentada como tendo identificação com a pauta da família e direitos humanos. Em uma entrevista, Damares afirmou “temos que ir para o mercado de trabalho” e por isso se preocupa com a ausência da mulher da casa, além das crianças cujas mães trabalham fora.
Ela é antagonista do movimento LGBT e da campanha pela legalização do aborto, e defende que o papel que mais gosta de exercer é o materno e que as mulheres nascem para ele. “Dá pra gente ser mãe, mulher e ainda seguir o padrão cristão que foi instituído pras nossas vidas”, disse a líder evangélica.
As frases carregadas de preconceito e falso moralismo cristão não combinam em nada com a realidade vivida pela maioria das mulheres brasileiras que trabalham e são chefes de família, tem jornada dupla de trabalho e se desdobram para cuidarem de todas as facetas da vida.
Tais posições são representativas dos interesses da burguesia golpista e machista, que apoia o posicionamento da futura ministra ao dizer a frase medieval que “mulher nasce para ser mãe”, uma posição de quem defende que mulher se mantenha em uma posição submissa e secundária, o setor mais explorado da sociedade.
Se pensamos que a mulher nasce para ser mãe, como ela poderá adquirir independência financeira, se ela ao exercer essa função (no atual modelo de produção – capitalista – da sociedade) não é remunerada para tal?
A luta pela independência econômica deve ser preponderante para a liberdade da mulher, porém é necessário compreender essa luta em uma sociedade baseada em contradições de classe.
Conforme Alexandra Kollontai afirma no texto “A base social da questão da mulher”, o mundo das mulheres é dividido em dois campos; os interesses e aspirações de um grupo de mulheres que se aproximam da classe burguesa, enquanto outro grupo tem ligações estreitas com o proletariado, e seus pedidos de libertação abrangem uma solução completa para a questão da mulher. Assim, embora ambos os campos possam seguir o slogan geral da “libertação da mulher”, seus objetivos e interesses são diferentes. Cada um dos grupos inconscientemente leva o seu ponto de partida os interesses de sua própria classe específica para as metas e tarefas que se propõe. Lutar para a transformação fundamental da estrutura econômica e social da sociedade sem que a libertação das mulheres não esteja concluída, não será possível a evolução da sociedade.
Por consequência, ao identificar os campos de interesses das falas, constata-se que a futura ministra representa a classe burguesa que não deseja a libertação da mulher desta sociedade escravizadora e nefasta. A burguesia deseja uma mulher submissa prioritariamente cuidando da casa e dos filhos e é portanto contrária aos interesses da maioria das mulheres brasileiras que precisam das melhores condições possíveis para trabalhar e conquistar sua liberdade econômica.
É preciso estar atento a essa verdadeira ofensiva ideológica e moral contra a liberdade das mulheres, ocultada sob uma fachada de “valorização dos dons naturais”.
A luta ideológica é parte da luta política nesse momento. Com o golpe de estado em andamento que está retirando direitos, aumentando vertiginosamente o desemprego, as mulheres sofrem brutalmente ao ataque dos golpistas.
Bolsonaro é cria da burguesia e do golpe de Estado organizado pela direita desde 2012, que derrubou a presidenta legítima, Dilma Rousseff, em 2016, fortaleceu a extrema-direita e prendeu, sem provas, o ex-presidente Lula, além de perseguir toda a esquerda nacional.
O que Bolsonaro pretende é radicalizar essa política. O governo Temer tem comprovado que não passa de um fantoche dos militares, que estão tomando o controle de todas as instituições. Isso está perfeitamente sincronizado com a eleição fraudulenta de Bolsonaro, que já têm coordenando sua campanha diversos membros das forças armadas e parte de seu futuro ministério também será liderada por militares.
É necessário repudiar e denunciar todas as iniciativas nesse sentido e lutar pelos mais amplos direitos democráticos das mulheres, por sua libertação completa do trabalho e da vida doméstica, por sua organização e participação política ampla. Organizar uma contraofensiva de conscientização da população pelo fim de toda opressão e discriminação contra as mulheres.