Mulheres fascistas também devem ser combatidas

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Devido às grandes contradições da sociedade capitalista, como a explícita desigualdade entre homens e mulheres, surgem ao longo da história movimentos de luta pelos direitos das mulheres, com reivindicações que visam a emancipação como direito ao voto, ao trabalho e aos direitos trabalhistas, ao aborto, etc.

Como todo movimento revolucionário, tinha que ser freado pela burguesia, que usa de seu poderio para manter as mulheres em uma situação ainda mais precária, onde podem ser mais exploradas através do trabalho doméstico não remunerado. Surge então o feminismo liberal, uma vertente que aparece como defensora da igualdade e dos direitos das mulheres, mas não passa de pura demagogia, como tudo que vem da classe burguesa.

Uma vez que o movimento é totalmente descolado da realidade da luta de classes, limita-se a tentar modificar apenas alguns aspectos da vida no capitalismo, e não o modelo de sociedade como um todo, que é verdadeira prisão, cujas grades jamais se afrouxarão para as mulheres da classe trabalhadora.

Dentre as premissas do feminismo liberal está a da sororidade, com um significado de apoio mútuo entre mulheres, que supostamente tem base na empatia de colocar-se no lugar de outras mulheres antes de apontar-lhes o dedo. Um conceito muito bonito, mas que na prática mostra o verdadeiro propósito a que serve, quando se trata de aplicar a sororidade, por exemplo, a mulheres direitistas que defendem a destruição dos direitos sociais.

Quando mulheres como a Ministra Damares, que é contra qualquer direito reprodutivo das mulheres e defende a “construção” de uma família com vítima e estuprador, e a deputada Tábata Amaral, que votou a favor da reforma da Previdência e roubo das aposentadorias dos trabalhadores, foram criticadas por suas políticas direitistas, muitas ditas feministas saíram em defesa das mesmas pois ambas são mulheres e mulheres devem se apoiar, e estariam sofrendo machismo ao serem questionadas.

O que esse feminismo não compreende é que apesar de estarem em cargos de poder, essas mulheres não representam avanço algum na emancipação e trabalham para manter a sociedade que oprime principalmente as trabalhadoras, agem apenas como mais uma peça da burguesia independente de seu gênero. Sendo assim, devem ser duramente criticadas, para afastar do movimento de mulheres esse tipo de apoio cego que em nada reverte a situação em que se encontram a grande maioria.

O próprio governo Bolsonaro tem suas representantes, para deixar claro que mulheres “empoderadas” por seus cargos não resultam em melhorias para a maioria, como demonstram as trajetórias parlamentares de Joyce Hasselmann e Carla Zambelli, deputados pelo PSL, ambas comprometidas com as políticas neoliberais, que afetam principalmente as mulheres, além de adotarem o caráter fascista do governo que representam.

É importantíssimo que as mulheres de fato se unam e se apoiem em suas reivindicações, porém a luta tem que ser pelo fim da sociedade que explora, pelo fim do capitalismo. A união deve se dar em um movimento revolucionário, que tem por objetivo maior por abaixo o atual sistema, enquanto exige melhores condições de vida através de direitos sociais para todas.