Dissolução da PM já!
O caso de Eliane do Espírito Santo, agredida e presa apenas por filmar e questionar uma abordagem policial evidencia a necessidade da dissolução da PM.
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Caso ocorrido em Macapá-AP é um dos vários que acontecem todos os dias no Brasil | Foto: Reprodução
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Caso ocorrido em Macapá-AP é um dos vários que acontecem todos os dias no Brasil | Foto: Reprodução

A violência e os abusos da Polícia Militar contra a população são coisas comuns para aqueles que vivem na periferia das cidades, onde os trabalhadores negros e pobres são as principais vítimas do aparato repressivo da burguesia. São recorrentes os registros feitos pelos trabalhadores dos “casos isolados”  da PM em todo país, onde pessoas são presas, torturadas e mortas sem nenhum motivo aparente. O mais recente caso que viralizou nas redes sociais foi o da pedagoga Eliane do Espírito Santo, que na última sexta-feira (18) foi agredida com socos, chutes e insultada durante uma abordagem policial na periferia de Macapá-AP .

Segundo Eliane, a mesma estava dentro de um carro de um amigo da família em frente a sua casa, quando chegaram pelo menos três policiais e iniciaram uma abordagem e revista em todos os homens presentes, incluindo seu marido que também foi preso e agredido pelos policiais.

            “A polícia já abordou a gente apontando as armas para o carro. Abordou todo mudo menos eu; um deles deu um soco no estômago do meu marido.”, declarou.

Eliane acabou sendo orientada a ir para o outro lado da rua, e assim começou a gravar a abordagem e questionar a forma como estava sendo conduzida, o que teria sido o motivo para que seu celular fosse apreendido e ela acabasse sendo agredida e encaminhada a delegacia.

            A abordagem inicial foi me engasgar, me deu rasteira e me ‘murrou’. Eu não tive reação, eu apanhei, só fiz gritar para a população ver o policial me agredindo desnecessariamente. Em nenhum momento houve desacato, em momento algum eu o agredi verbalmente, ele que já veio me agredindo fisicamente”.

Além da agressão, Eliane foi presa por resistência, desacato e desobediência, e tendo que pagar uma fiança de R$800 para ser liberada. Mas estas não foram as únicas agressões sofridas, Eliane relatou também que foi agredida verbalmente durante a abordagem e também na delegacia, com ofensas de cunho racista, uma verdadeira tortura.

            Para mim isso foi uma tortura, mexeu muito com meu psicológico. […] Eu fui chamada de ‘preta’, fui chamada de vagabunda por eles na delegacia. Eu me senti ofendida e para mim foi um preconceito muito grande, porque éramos os únicos negros ali“, acrescentou.

Confira o vídeo gravado pelo filho de Eliane com as agressões:

Os policiais envolvidos na abordagem e na selvageria realizada contra Eliane e sua família não tiveram suas identidades reveladas e foram afastados de suas atividades. O caso de Eliane e como a situação foi conduzida é algo corriqueiro na realidade de milhões de trabalhadores todos os dias. Quando casos como este ocorrem, é comum ouvirmos falar em “despreparo” da polícia, mas a verdade é que o caso em questão demonstra o contrário, esta é a verdadeira função da Polícia Militar e é para isso que ela foi criada, para reprimir e praticar a extrema violência contra os trabalhadores.

A ação de afastar os policiais serve apenas como demagogia para a população e como uma forma de esconder o verdadeiro caráter da Polícia, logo os mesmos certamente retomarão as suas atividades e continuarão com os mesmos padrões de comportamento ao abordar os trabalhadores em ações que teoricamente seriam para combater crimes, mas que não passam de pretexto para vandalizar contra a população, pois é isto que é imposto como o trabalho a ser feito.

Todos os casos de violência contra os trabalhadores por parte da Polícia que ocorrem todos os dias no Brasil só evidenciam cada vez mais a necessidade da dissolução da Polícia Militar. A polícia não é e nunca foi capaz de resolver quaisquer problemas sociais relacionados aos crimes cometidos, e só serviu como forma de violentar, prender, torturar e matar a população majoritariamente pobre e negra do país. A polícia é uma instituição que defende os interesses única e exclusivamente da burguesia e não é ela que irá conseguir atender aos problemas da população proletária. É necessária uma mobilização pelo fim da PM e pelo fim do genocídio da população trabalhadora no Brasil.

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