WASHINGTON, DC - MAY 12:  Uruguay President Jose Mujica Cordano listens during a bilateral meeting with U.S. President Barack Obama in the Oval Office of the White House May 12, 2014 in Washington, D.C. Obama was to discuss growing bilateral economic ties and expanding collaboration in technology, science, and health. (Photo by Andrew Harrer-Pool/Getty Images)
|

No último sábado (28), o ex-presidente uruguaio José Mujica declarou à Radio Universal que o governo da Venezuela seria uma “ditadura”. Disse o uruguaio: “é uma ditadura, sim. Mas ditadura há na Arábia Saudita, com um rei absoluto. Ditadura há na Malásia, matam 25 pessoas por dia. E a República Popular da China, o que dizer”?.

A declaração de Mujica vem em uma etapa crucial da crise do capitalismo. Há cerca de 20 anos, os Estados Unidos, apoiados pelos demais países imperialistas, vêm tentando desestabilizar o regime político venezuelano para saquear o petróleo e todas as riquezas do povo da Venezuela. Nos últimos anos, a ofensiva tem se intensificado, mas a reação do povo venezuelano, que apoia massivamente o governo de Nicolás Maduro, tem impedido que o imperialismo siga adiante, causando um grande impasse na América Latina.

Na medida em que Mujica caracteriza o governo venezuelano como uma ditadura, ele está colaborando diretamente com o imperialismo, que quer derrubar Maduro a todo custo. O momento não é o de fazer críticas ao governo da Venezuela, mas sim de se aliar ao seu povo para travar uma luta continental contra o imperialismo.

O apoio de Mujica ao golpe na Venezuela também coincide com outro aspecto importante: o uruguaio, embora se apresente como uma figura de esquerda, é exaltado pela imprensa capitalista. Ao contrário de Nicolás Maduro, que é tratado como um ditador, e de Lula e de Cristina Kirchner, que são diariamente taxados de corruptos, Mujica é visto com muita simpatia pela imprensa burguesa.

O motivo dos constantes afagos da burguesia a Mujica é justamente o fato de o uruguaio se posicionar segundo ps interesses da direita, como acabou de fazer no caso da Venezuela. Tal política, no entanto, não representa nenhum ganho para os trabalhadores: é uma política de total submissão ao imperialismo, que irá destruir, se não for freado, tosos os países da América Latina.

Relacionadas