MRT, contra o imperialismo, com uma tese do imperialismo

MRT

O Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) apresentou uma tese  para o 57° congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) na qual expõe suas posições sobre a luta da juventude. Logo, já fica evidente a confusão política apresentada em todo o documento, que fica explícita quando falam da Venezuela.

“Lutamos contra a ofensiva imperialista na Venezuela, sem apoiar o autoritarismo de Maduro“.

Como seria possível lutar contra a ofensiva imperialista na Venezuela caindo na própria propaganda imperialista? Mais uma vez, é velha demagogia da esquerda pequeno-burguesa, aqui não se faz de fato uma defesa de Maduro contra a dominação das grandes potências capitalistas, mas sim uma apresentação de uma posição confusa. Não querem defender o presidente da Venezuela que está sendo covardemente atacado e caluniado, mas também não querem ter sua imagem vinculada à uma investida imperialista contra um país sul americano.

Esse “tese” do “autoritarismo de Maduro”, porém, não é nova. Ela vem do próprio imperialismo, repetida sistematicamente pela imprensa golpista no Brasil. A Folha de São Paulo, um dos membros da tríade golpista, junto com O Globo e o Estadão, repete ferozmente que “Maduro é um ditador” e coisas do tipo. Portanto, o MRT procura apresentar uma tese, segundo a própria organização, “anti-imperialista” com uma tese do imperialismo.

Repetir que Maduro é ditador, ou que Lula seja corrupto, ou o PT indefensável, não pode vir acompanhado de uma “defesa”. É uma posição confusa que não atinge o real propósito de defender essas vítimas do imperialismo, só servem para limpar a barra perante os elementos mais confusos que entendem que há uma campanha contra Maduro e o PT, mas no final de contas estão de fato é corroborando com esta tese do imperialismo.

Os Estados Unidos atacam a Venezuela sob o pretexto de que Maduro é um ditador, derrubou o PT alegando que o partido era corrupto (ou era igual aos demais partidos da burguesia). Se quisermos de fato defendê-los, precisamos fazê-lo de fato, sem acompanhamento de poréns que reverberam com a campanha golpista.