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Cresce a mobilização na Itália
Movimento dos “sardinhas”: italianos saem às ruas contra a direita
Uma onda de protestos tem tomado as ruas na Itália. De norte a sul, a população vai às ruas contra a direita.
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Cresce a mobilização na Itália
Movimento dos “sardinhas”: italianos saem às ruas contra a direita
Uma onda de protestos tem tomado as ruas na Itália. De norte a sul, a população vai às ruas contra a direita.
Catedral de Milão, no sábado (2) — Foto: AP Foto/Luca Bruno
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Catedral de Milão, no sábado (2) — Foto: AP Foto/Luca Bruno

Uma multidão toma as ruas em Milão, cidade natal de Matteo Salvini (Liga Norte), ex-ministro do interior. De acordo com os organizadores, cerca de 25 mil pessoas tomaram a Praça do Domo, neste domingo (1). Os protestos, que vêm ocorrendo há duas semanas em toda a Itália, sinalizam uma reação contra a direita em todo o país.

O ato revela a polarização que se desenvolve na Itália, concentrando setores que se colocam contra a extrema-direita capitaneada por Salvini. Não só em Milão, como em Taranto (extremo-sul da Itália) e Pádua (norte da Itália), a mobilização deu mostras da impopularidade de Salvini e sua camarilha. Salvini, por sua vez, ironizou a situação, dizendo: “espero que sejam cada vez mais e em todos os lugares, porque me dão alegria”.

Em discurso, Mattia Sartori, um dos fundadores das Sardinhas, deixa claro a insatisfação popular com o a extrema-direita: “não há ninguém por trás de nós, apesar de muitos tentarem nos dividir, mas nós estaremos cada vez mais nas ruas”.

“Precisamos dialogar com a política, mas não com quem desintegrou o tecido social por um punhado de votos. Chega de instrumentalizar os desfavorecidos em troca de votos, chega de fazer política sobre a pele dos mais frágeis”, complementa.

Vale ressaltar que, desde que Salvini assumiu a liderança da coalizão de direita com o moderado Força Itália (FI) e o extremista Irmãos da Itália (FdI), o Partido Democrático (PD), maior força de centro-esquerda no país, perdeu o governo de sete regiões, possibilitando a ascensão da coalizão conservadora. A Emilia-Romagna, portanto, é um dos últimos bastiões “vermelhos” ainda de pé, juntamente às vizinhas Toscana e Marcas.

O deslocamento popular contra a direita é tamanho que, apesar de a organização ter buscado atrair cerca de 6 mil pessoas contra Salvini no primeiro protesto realizado em Bolonha, o movimento popular chegou a atingir 13 mil pessoas nas ruas. Já o segundo, realizado em Modena, contou com 7 mil pessoas. Desde então, o movimento tem tomado conta de diversas regiões de norte a sul do país, fazendo com que praças e ruas fiquem pequenas para tamanha agitação.

É importante destacar que, mesmo sendo uma manifestação confusa e desorganizada – contra a extrema-direita, o termômetro vem subindo e já esquenta os miolos do governo. Isso porque essas manifestações vem crescendo cada vez mais na Itália. Nesse sentido, essa onda de protestos denota uma crise no país, podendo, inclusive, gerar um movimento de massas.