Movimento de Atingidos por Barragens denuncia que desastre de Brumadinho é culpa da privatização

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Em entrevista concedida na última segunda-feira (4) ao programa “No Jardim da Política”, da rádio Brasil de Fato, Daiane Hohn, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), avaliou os danos causados pelo rompimento da barragem de Brumadinho (MG) e quais os desdobramentos desta catástrofe.

Ela destacou que, além dos moradores de Brumadinho, pessoas que habitam outros municípios mineiros podem ser atingidas, pois a lama tóxica deve atingir tanto as 18 milhões de pessoas que moram nos 500 municípios da bacia do Rio São Francisco quanto as 19 cidades ao longo do rio Paraoapeba. Desta maneira, milhões de pessoas podem ser afetadas pela contaminação com os rejeitos da mineração. “É um crime grandioso”, salienta Daiane Hohn.

Ela destaca também que é necessário que haja um afastamento imediato da Vale, pois ela é uma criminosa lidando com o próprio crime. Não há participação das pessoas atingidas nas decisões sobre o rumo de suas próprias vidas. Na entrevista, enfatiza que um dos principais fatores que explica o rompimento da barragem é a privatização da Vale. ao afirmar que “a privatização está por trás do rompimento das barragens”.

De acordo com a coordenadora do MAB,  “A Vale foi privatizada em 1997, foi entregue para a iniciativa privada que busca o lucro máximo em detrimento do meio ambiente e das pessoas. Se precisar, vai intensificar a exploração do meio ambiente para garantir os lucros”.

A partir de tragédias como as de Mariana e Brumadinho é possível notar claramente que a privatização é um desastre para a população. A segurança dos trabalhadores, dos moradores das cidades, do meio ambiente e do patrimônio cultural não têm a menor importância para os capitalistas. Em nome do lucro, eles sacrificam o País com esse tipo de catástrofe. É preciso reestatizar e colocar a Vale sob o controle dos trabalhadores.