Esquerda que confia na direita
UBES tem buscado colaborar com a direita indicando formas de voltar com as aulas presenciais ao invés de apoiar os professores e a greve contra a volta às aulas presenciais
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Estudante da UBES | Foto: Camila Lima
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Estudante da UBES | Foto: Camila Lima

Em meio à grave crise sanitária na qual a população está imersa e que tem como grande responsável a política assassina dos capitalistas responsáveis pela morte que já passam das 239 mil, a burguesia ainda não satisfeita tenta impor o retorno das aulas presenciais nas escolas colocando em risco a vida de milhares de estudantes e professores. A  imposição da volta às aulas mesmo sem nenhuma perspectiva de avanço contra a pandemia a não ser a farsa da vacina que promete meia proteção e que sequer será disponibilizada para a população  mostra o total descaso com o povo que vem sendo dia após dia levado direto para o abate pelos capitalistas que não querem acabar com a pandemia mas querem que o povo conviva com o vírus mesmo isto leve a sua morte.

Diante de mais este ataque, com a exigência do retorno das aulas presenciais em meio à pandemia, os professores em diversos estados estão decretando greve e denunciando esta medida genocida. A decisão de greve por parte dos professores tem se demonstrado bastante acertada, desde a imposição do retorno das aulas são diversos os acontecimentos que comprovam a impossibilidade das aulas presenciais, desde milhares de escolas que não possuem sequer água encanada e ventilação adequada, até escolas que retornaram às aulas mas tiveram que novamente suspender o retorno por proliferação da covid-19 nas escolas, isto até mesmo em escolas particulares que farsescamente dizem ter condições de ter aulas presenciais.
O cinismo é tanto que a direita tem até promovido como uma grande iniciativa a chamada aula à céu aberto, que consiste em aulas fora dos prédios da escola, sem nenhum tipo de infraestrutura para as crianças que estudam sem mesa, sem cadeira, no chão e no sol, uma farsa que busca contornar a total falta de condições materiais para que as aulas presenciais retornem colocando tanto os alunos quanto os professores em condições deploráveis.
É desta direita que promove a volta às aulas mesmo sem a menor condição que o PCdoB, através da UBES exige “Mas pro retorno presencial devemos exigir das autoridades e gestores transparência, proteção, investimento e vacinação”. Ou seja, tudo que a direita, como já ficou bastante evidente, não vai fornecer. Enquanto os professores estão em greve e sendo duramente atacados pelos governos, dentre eles o governo Dória ao qual setores da esquerda, inclusive o PCdoB têm caído na farsa do “governo científico”; a esquerda tem buscado colaborar com a direita indicando formas de voltar com as aulas presenciais ao invés de apoiar os professores e sua greve e mobilizar os estudantes contra a volta às aulas presenciais.
Para a UBES bastaria “pensar em soluções viáveis para a realidade de cada retorno. Cabe a todos exigir das autoridades e gestores que esse retorno seja marcado por transparência, proteção, investimento na formação dos profissionais da educação e na estrutura escolar.” A UBES e o PCdoB querem que ao invés de greve contra o retorno das aulas os professores e os alunos peçam as “autoridade e gestores”, como Dória, Covas e tantos outros vigaristas, ou seja, os mesmos que estão matando os estudantes e professores de covid, que estão obrigando crianças a estudar no chão de um pátio, que estão prometendo uma vacina falsa, que estão matando e enganando a população.
É a estes elementos que este setor da esquerda quer que a greve se curve e que os professores simplesmente “exijam” o necessário para a volta às aulas, os mesmos professores que há anos exigem aumento salarial e condições dignas de trabalho mesmo sem pandemia e tudo que recebem destes “gestores” é repressão policial. É um escárnio com os professores, alunos e com todos os trabalhadores que a esquerda defenda não uma greve de trabalhadores mas uma concessão para encontrar uma forma de agradar a direita que está literalmente matando o povo aos milhares mesmo antes da pandemia e mesmo sabendo que estas concessões nunca beneficiam a população.
É preciso defender a greve dos professores e mobilizar os professores, estudantes e toda a classe trabalhadora contra esta medida genocida que é a volta às aulas em meio à uma pandemia que tem matado mais de mil pessoas, situação pior até mesmo do que quando a pandemia teve início no país há um ano. É preciso mobilizar contra qualquer medida que coloque ainda mais em risco a vida do povo.
As atividades só devem voltar ao normal quando efetivamente algo estiver sendo feito no sentido de acabar com a pandemia, o que não foi feito desde que a pandemia teve início, tudo o que vemos é a burguesia se esquivando de arcar com necessidades do povo e colocando o próprio povo para pagar a conta da crise sanitária e econômica gerada pela própria burguesia. São os trabalhadores que desde o início da pandemia são obrigados a ir para o trabalho em transportes lotados, no próprio trabalho não encontram as condições para trabalhar com segurança, que estão tendo seus salários e direitos trabalhistas reduzidos e quem está sofrendo com a repressão policial que encontrou na pandemia uma ótima forma de se expressar, enquanto centenas destes trabalhadores morrem todos os dias vítimas do vírus.
Com a volta às aulas a burguesia quer fazer o mesmo que fez e continua fazendo com os trabalhadores durante toda a pandemia com os professores e alunos: quer que paguem pela crise causada pelos capitalistas, mesmo que o preço sejam suas vidas.
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