Culturas ameaçadas de extinção
Política de destruição de todo suporte estatal à existência das sociedades indígenas pode causar a sua dispersão e perda de toda a sua cultura.
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
img
Vó Bernaldina, anciã da etnia Macuxi. | Foto: Jaider Esbell

Os povos indígenas brasileiros, constantes alvos da grilagem e destruição de suas terras, de ordens de despejo, intimidações, assassinatos e diversos outros crimes encomendados por ruralistas e pelo Judiciário golpista e executados por pistoleiros ou pelas forças policiais, vivem em constante ameaça da vida de seus integrantes e, em consequência, da sobrevivência de seu patrimônio histórico e cultural. A disposição do atual governo em minar todo tipo de suporte estatal às condições de vida dos indígenas, em particular ao seu acesso a serviços de saúde, tem causado a sua dizimação face à atual pandemia da Covid-19, e com a morte dos anciãos de alguns povos, a destruição de enormes parcelas da história, cultura e linguagem de um número ainda maior de povos, um conhecimento em grande medida transmitido oralmente.

Este resultado se manifestou recentemente através da morte pela Covid-19 de diversos anciãos, destacadamente de Bernaldina José Pedro, da etnia Macuxi, e de Aritana Yawalapiti, descendente dos povos Yawalapiti e Kamayurá, falante de dez línguas de pelo menos três troncos linguísticos e um dos líderes mais respeitados do Território Indígena do Xingu. A perda destas e de muitas outras lideranças indígenas, que se encontravam em processo de transmissão de sua cultura e idioma para as gerações mais jovens, agrava a ameaça da debandada de diversos povos e da perda do seu conhecimento acumulado.

Em sua luta pela auto-preservação, os povos indígenas desde sempre foram um obstáculo ao desenvolvimento e sobrevida da sociedade capitalista. Na atual fase de decomposição desta sociedade, se intensifica a rapina da sua classe dominante – a burguesia dos países imperialistas – sobre todos os indivíduos e nações oprimidas. Às manifestações concretas deste fenômeno, como a chamada política neoliberal, se juntam os cada vez mais selvagens ataques aos povos indígenas, cuja existência contribui para dificultar o livre acesso dos capitalistas à enorme riqueza de recursos naturais presente em diversas reservas indígenas.

A continuidade da existência das sociedades pré-capitalistas na atual fase terminal do capitalismo, no Brasil e nos diversos outros países em que ocorre, constitui um acidente histórico, tendo sido elas exterminadas ou integradas às novas sociedades. A luta pelas suas condições de vida, preservação da cultura, hábitos e costumes, organização e auto-defesa como fatores de desestabilização do capitalismo deve, portanto, ser encampada por todos os revolucionários que lutam pela transformação da ordem social burguesa.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Relacionadas