Arte

Morreu Eva Wilma, uma oponente do regime militar

Atriz participou de manifestação no Rio de Janeiro contra a censura nos anos 60

Tempo de Leitura: 2 Minutos

Foto recente da atriz – Divulgação

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Na última sexta-feira, dia 15, faleceu no hospital Albert Einsten uma das maiores atrizes brasileiras. Eva Wilma faleceu às 22h por insuficiência respiratória causada por um cancêr de ovário. O diagnóstico aconteceu em abril deste ano, e desde então a atriz luta contra a doença. Eva Wilma Riefle Buckup Zarattini nasceu em São Paulo em 1933. Começou a atuar na década de 50 na Rede Tupi. A artista também foi bailarina e foi professora de balé antes de se dedicar exclusivamente a dramaturgia. A atriz teve também uma extensa carreira no teatro e no cinema. Dentre as obras para o cinema estão São Paulo SA, Cidade Ameaçada, Asa Branca – Um Sonho Brasileiro. Na década de 1980 com o fim da TV Tupi a atriz foi contratada pela Rede Globo, emissora esta que a atriz se destacou por vários papéis, oscilando na interpretação tanto de mocinhas quanto de vilãs.

A atriz conhecida por papeis em novelas de grande sucesso como, A Viagem, Guerra dos Sexos, Saçaricando, Anos Rebeldes e O Rei do Gado e Mulheres de Areia, responsável por personagens marcantes e vários bordões; também foi atuante contra a ditadura militar que assombrou o Brasil por 21 anos. Em fevereiro de 1968 junto com Eva Todor, Leila Diniz, Tônia Carrero, Cacilda Becker, Odete Lara e Norma Bengell; Wilma caminhou junto com outros manifestantes no centro do Rio de Janeiro, conhecida como a passeata dos cem mil contra a censura do período ditatorial. Este período marca o início de um aprofundamento do regime militar. Os chamados anos de chumbo seriam ainda mais repressivos em relação a atividade artística, com várias pessoas sendo exiladas, mortas, torturadas no país. Em uma entrevista de 2018, a atriz relembra.

Nós tivemos uma experiência muito interessante que às vezes o público desconhece. É uma foto famosa, emblemática, de um momento difícil para a cultura no país. Era uma mobilização contra a censura e pela cultura. Os teatros todos de São Paulo pararam, uma greve. A mobilização foi combinada de ser feita nos teatros municipais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Três dias e três noites ininterruptos. A gente se revezava. E o encerramento desses três dias e três noites comandados por pessoas tão brilhantes como Dias Gomes como Flávio Rangel…Eles combinaram que nós atrizes iríamos puxando todo mundo de mãos dadas na frente. E lá fomos nós, uma fila muito bonita de atrizes de mãos dadas”, explicou Wilma.

O corpo da atriz foi velado e sepultado no dia 16 de maio, em uma cerimônia restrita na cidade de São Paulo.

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