Aos 89 anos morre Nelson Pereira dos Santos, um dos maiores cineastas brasileiros

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Internado desde o dia 12, morreu no sábado (21), devido a um tumor no fígado, aos 89 anos, Nelson Pereira dos Santos um dos maiores nomes do cinema brasileiro.

Natural de São Paulo, Nelson Pereira dos Santos foi diretor, roteirista, montador, ator e professor. Diretor de 35 filmes entre longas e curtas metragens, além de documentários e programas para a televisão, trabalhou em vários jornais como crítico e revisor. No cinema suas obras foram importantes para o surgimento do Cinema Novo, movimento do qual foi um dos precursores junto com outros importantes diretores como Glauber Rocha e Leon Hirszman.

 

Formado em Direito pela Universidade de São Paulo, foi militante do Partido Comunista Brasileiro nas décadas de 40 e 50. Suas produções no cinema foram marcadas pela influência do neorrealismo italiano, utilizando poucos recursos para abordar de forma crítica as contradições brasileiras. Brilhantemente marcou a história do cinema nacional com sua capacidade de sintetizar nas obras a complexa estrutura social do país

Entre as variadas produções de Nelson, Rio 40 Graus (1955) é a obra fundamental do cinema brasileiro, marca o início da sua produção de longas metragens e é pioneiro ao dar protagonismo à favela. Com a participação do então desconhecido sambista Zé Kéti, compositor da trilha sonora, o filme retrata a vida nas favelas do Rio de Janeiro pela visão de cinco meninos negros.

Outro importante filme é Vidas Secas (1963), inspirado no livro de Graciliano Ramos, exibe a vida do retirante nordestino dilacerado pela seca. A obra pode ser considerada facilmente uma das mais perfeitas adaptações de um romance para o cinema. Recebeu vários prêmios no exterior e será o último antes do golpe militar de 1964. Grandes obras serão lançadas durante a ditadura militar, porém todas marcadas de alguma forma pelo clima de terror e perseguição dos militares. El Justicero (1968), Fome de Amor, Azyllo muito louco(1971), adaptado de O alienista de Machado de Assis, Como era gostoso o meu francês (1972), Quem é Beta? (1973), O amuleto de Ogum (1975), Tenda dos Milagres (1977) e Jubiabá (198

 

7) ambas baseadas nas obras de Jorge Amado, Estrada da Vida (1981)

filme dos cantores sertanejos Milionário e José Rico. Em 1984 a luta contra a ditadura permitiu o término do filme Memórias do Cárcere baseado no livro de Graciliano Ramos. Recentemente lançou o filme Raízes do Brasil (2004) adaptado do livro homônimo do historiador Sergio Buarque de Holanda.

Primeiro cineasta a se tornar membro da Academia Brasileira de Letras, onde seu corpo foi velado, Nelson Pereira dos Santos em sua vasta obra foi responsável por inventar a maneira como se produz o cinema moderno brasileiro. Retratou as mazelas enfrentadas pelo povo brasileiro, sua cultura e complexidade.