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Aliança com os golpistas
Indigena leva tiro na cabeça no MA e o PCdoB chama a polícia do Moro
“As ameaças são quase contra todos nós, lideranças e caciques. O governo nunca tomou providências”, relata Zezico Guajajara, assassinado no dia 31 março
Força Nacional MS
Aliança com os golpistas
Indigena leva tiro na cabeça no MA e o PCdoB chama a polícia do Moro
“As ameaças são quase contra todos nós, lideranças e caciques. O governo nunca tomou providências”, relata Zezico Guajajara, assassinado no dia 31 março
Força Nacional no Mato Grosso do Sul. Imagem: reprodução.
Força Nacional MS
Força Nacional no Mato Grosso do Sul. Imagem: reprodução.

Desde novembro de 2019, 5 indígenas Guajajaras foram assassinados no Maranhão.

No sábado, dia 4 de abril, Antônio Filho Providência Guajajara foi baleado na cabeça, mas sobreviveu e foi internado. A última morte denunciada foi do professor Zezico Guajajara, em 31 de março, onde seu corpo foi encontrado numa estrada dentro da Terra Indígena Araribóia.

Os moradores da Terra Indígena Arariboia são conhecidos por sua luta contra o desmatamento ilegal e da invasão de suas terras no Maranhão. Zezico fazia parte de uma organização de autodefesa chamada “Guardiões da Floresta”, que defende a floresta do estado dessas atividades ilegais. Paulo Paulino Guajajara era outro líder desse grupo, e foi assassinado em novembro de 2019.

“Os Guardiões foram impiedosamente alvejados por poderosas máfias madeireiras que exploram ilegalmente as valiosas madeiras no território indígena de Arariboia, lar dos povos indígenas Guajajara e membros isolados da tribo Awa”, relatou o grupo de direitos humanos Survival International.

O Maranhão, que tem como governador Flávio Dino, do PCdoB, pediu ao ministro da Justiça — e ex-juiz responsável pela condenação sem provas e prisão de Lula —, Sérgio Moro, que enviasse a Guarda Nacional para o local a fim de “evitar mais conflitos e mortes”:

“Peço que a Guarda Nacional seja enviada à área indígena, um território federal, para evitar mais conflitos e mortes”, escreveu o secretário estadual de Direitos Humanos do Maranhão, Francisco Gonçalves, em carta a Sérgio Moro.

Eis então o relato de um indígena baiano que foi recebido pela Força Nacional na FUNAI de Brasília:

“A Funai não recebe os índios que estão a favor da floresta, nem os índios que são contra mineração e contra o PL 191. Chegamos aqui e nos deparamos com a Força Nacional. Isso é certo? Antes, quando garimpeiros e madeireiros invadiam nosso território, a Funai acionava a Força Nacional para tirar os invasores. Mas hoje não, eles estão contra nós. Parece que a ditadura está voltando” reclama o Mydjere Kayapó, do Instituto Kabu e da Rede Xingu +.

Zezico Guajajara relata, em uma entrevista ao Amazônia Real, antes de ser assassinado, que: “ao longo desse período perdemos os guerreiros sem punições dos matadores. A Funai sabe toda a história, mas também sempre acobertou os casos, ou seja, não pediu maior investigação. Assim, os madeireiros foram pegando fôlego, devido não existir punições dos crimes […] As ameaças são quase contra todos nós, lideranças e caciques. O governo nunca tomou providências”.

O secretário de Direitos Humanos do Maranhão já havia enviado uma carta a Sérgio Moro no final de 2019, assim como no começo de 2020.

Como se a total inércia do governo estadual em relação aos ataques não bastasse, ele ainda exige do fascista Sérgio Moro, que já arquivou mais de 15 processos de demarcação de terras indígenas e já mandou a Força Nacional para reprimir povos indígenas em estados como Bahia e Mato Grosso do Sul.

Não é a primeira vez que a Força Nacional é acionada para “agir” no local, assim como não é a primeira vez que ela é acionada para agir um território indígena. As denúncias de violência policial contra os povos indígenas são inúmeras e têm se acentuado desde o golpe, e, sobretudo, desde a posse de Bolsonaro.

A esquerda e os povos indígenas não devem fazer alianças e nem pedir ajuda dos fascistas para resolver problemas do tipo, uma vez que os responsáveis por esses problemas são os próprios fascistas, que estão apenas aplicando sua política de ataque ao povo e aos movimentos sociais da cidade e do campo.

É necessário que os povos que lutam pela terra e pela defesa das florestas se organizem para enfrentar essa violência. É preciso criar uma organização de autodefesa para que os indígenas se defendam dos latifundiários e do governo Bolsonaro, que, por sua vez, é responsável por esses ataque e precisa ser derrubado pelo povo.

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