Morre a atriz Etty Fraser, fundadora do Teatro Oficina

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Da redação – A atriz Etty Fraser faleceu devido a insuficiência cardíaca aos 87 anos no último dia de 2018, no hospital São Luiz, em São Paulo, onde estava internada desde sábado. Sua carreira se destaca não apenas pela longevidade e pela diversidade – trabalhou no teatro, cinema e televisão –, mas também pelo permanente engajamento político de sua atuação.

Etty Fraser Martins de Sousa nasceu em 1931 no Rio de Janeiro, filha de uma judia polonesa e de um argentino filho de escocês. Após a Segunda Guerra, estudou na Inglaterra e formou-se letras anglo-germânicas na USP em 1956. O contato com a obra teatral de Shakespeare a levou aos palcos na peça Vento forte para papagaio subir com um grupo amador da Faculdade de Direito que viria a se tornar o Grupo de Teatro Oficina. Seria em A incubadeira, com texto e direção de José Celso Martinez Corrêa, que Etty estrearia profissionalmente em 1958. No Oficina, ela se destacaria, por exemplo nas atuações em A vida impressa em dólar, de Clifford Odetts, Pequenos burgueses, de Máximo Gorki, e O rei da vela, de Oswald de Andrade. També, No Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) atuaria na montagem de Antunes Filho do texto de Arthur Miller, As feiticeiras de Salém, em 1960. Receberia as principais premiações de 1966 por seu papel em Os inimigos, também de Gorki, tendo atuado ainda em Mac Bird, de Barbara Garson, dirigida por Augusto Boal no Teatro de Arena em 1968.

No cinema, atuou em cerca de 22 filmes de 1965 a 2011, incluindo São Paulo S.A. (1965), de Luís Sérgio Person, e Durval Discos (2002),de Anna Muylaert. Teve ainda diversas passagens na televisão, desempenhando desde a Madame Walesca na novela Beto Rockfeller (Tupi, 1968) até Felícia Foster Santana em Sassaricando (Globo, 1987), passando pelo papel de jurada do Programa Silvio Santos (Tupi, 1976-1980) e apresentando o programa de culinária À moda da casa (Bandeirantes, 1980-1987).

Sua atuação política marcante pode ser atestada não apenas pelo caráter independente e revolucionário de sua carreira teatral – sobretudo no Oficina e no Arena – mas sobretudo pela sua atuação como diretora do Fundo de Assistência à Classe Teatral (Fact) na década de 1990, que visava a auxiliar atores de teatro, bailarinos e artistas de circo sem condições de trabalho ou portadores de HIV. O tratamento da doença era dispendioso, pouco eficiente e – em tempos de FHC – sem auxílio público até o início do século 21, demandando mobilização dos principais grupos atingidos, dentre eles os atores. Fraser era incansável no levantamento de recursos, incluindo um jogo de futebol promocional entre artistas em 1995, e a permanente produção e venda de produtos.

Fraser era casada com o também ator Chico Martins (1924-2003), que conheceu no Teatro Oficina, e mãe de Denis Fraser Martins de Souza.