Moro, o santo padroeiro do PSDB

Cerimônia de premiação ''Brasileiros do Ano''

Nestor Cerveró, um dos ex-diretores da Petrobras que foram investigados pela força tarefa da operação Lava Jato, lá da República de Curitiba com suas próprias leis, afirmou tacitamente em sua delação, que tinha conhecimento de desvios de recursos da petroleira desde, pelo menos, 1975.

Cerveró salientou, no entanto, que a coisa foi feia mesmo durante os 8 anos de mandato de Fernando Henrique Cardoso. Explicitamente, ele se recordou de um episódio em que a Petrobras comprou uma empresa da Argentina. A fusão das duas empresas, segundo o uruguaio Cerveró, muito dinheiro molhou as mãos de pessoas envolvidas na operação e citou a quantia de R$ 100 milhões que teria sido destinada ao próprio presidente FHC por intermédio de seu filho primogênito.

Esses detalhes da “delação premiada” espontaneamente obtida sob coação do engenheiro químico saíram a público agora, graças a mais uma pitada dos vazamentos publicados pelo sítio na internet Intercept sobre as atividades escusas do então juiz Sérgio Moro e seus procuradores amestrados, publicações que ganharam o apelido carinhoso de “vaza jato”.

Vale a pena lembrar que naquela época, por volta de 1996, o jornalista Paulo Francis afirmou durante sua participação no programa de televisão “Manhattan Connection”, do canal a cabo GNT, que muitos diretores da Petrobras desviavam dinheiro da empresa para suas próprias contas bancárias na Suíça. O jornalista e apresentador Lucas Mendes, assustado, ao lado dele na bancada de apresentação do programa, ainda forçou uma retratação, perguntando algo como “você tem certeza disso?”. Francis manteve a denúncia.

Como consequência, a Petrobras – não os diretores da empresa como pessoas físicas – , uma das maiores empresas petrolíferas do mundo, processou o indivíduo jornalista na justiça de Nova York, onde residia, exigindo que ele apresentasse provas do que afirmou ou pagasse uma indenização de 100 milhões de dólares norte-americanos. Francis teve de contratar um advogado por 7 mil dólares para se defender na ação e o inferno que ele passou lhe provocou um ataque cardíaco que o matou.

Outro ponto da mais recente publicação da “vaza jato” do Intercept, também envolvendo o ex presidente da República FHC, é que existem planilhas da Odebrechet onde estão anotadas doações da empreiteira ao Instituto Fernando Henrique Cardoso totalizando perto de R$ 1 milhão, em valores não declarados legalmente pelo instituto e, portanto, não tributados. O próprio FHC teria pedido o dinheiro, em suaves parcelas, a Marcelo Odebrecht. E a secretária do instituto negociou a forma de sua concretização.

Segundo a “vaza jato”, os procuradores de Curitiba apresentaram esses detalhes ao Moro, na época, convencidos de que uma investigação a respeito de FHC, mesmo que de mentirinha, com a convocação dele para depor etc e tal, contribuiria para dar um ar de imparcialidade à Lava Jato, tiraria o peso de que sua única função de existir era alvejar o PT para derrubar a Dilma e prender o Lula e impedir o retorno do PT.

Mas Moro blindou tudo que ameaçasse a paz de FHC em Higienópolis ou na Avenu Foch, em Paris. Moro disse: “ Acho questionável pois melindra alguém cujo apoio é importante.”

Antes que isso viesse à tona, FHc já vinha dando declarações ultimamente classificando os vazamentos do Intercept como “tempestade em copo d’água” e outros desmerecimentos. Durante toda a ação da Lava Jato, até a condenação e prisão de seu sucessor na Presidência, FHC fez cara de paisagem. Os tucanos, de quem o ex-presidente é uma liderança de alta plumagem, cerraram fileira e patrocinaram o golpe até financeiramente, pagando os 45 mil à Janaína Paschoal pelo texto do pedido de golpichment.

Agora fica escancarado que estavam todos juntos no crime contra o Brasil, na farsa toda, que quebrou a própria Odebrecht e tantas outras e provocou 14 milhões de desempregados formais, além dos sub empregados e desalentados. Na farsa que tirou o concorrente da frente para o Bolsonaro ganhar e tornar o ex-juiz membro de seu desgoverno.

Não era novidade que o papai do Serginho Moro foi fundador do PSDB local lá em Maringá. O garoto Sérgio nasceu e cresceu em um ninho tucano. A conge dele, a Rosange, foi advogada do PSDB do Paraná. FHC, claro, mereceu toda a consideração do juiz que o tinha no coração. Daí para se aliar à extrema-direita e se tornar membro proeminente do governo fascista, foi como saltar do ninho e voar mais alto.

Fica a dúvida, como naquela propagando de biscoito, se o biscoito tal vendia mais porque estava sempre fresquinho ou se estava sempre fresquinho porque vendia mais: a Lava Jato poupou FHC para ter seu apoio ou FHC apoiou a Lava Jato para ser poupado?

Qualquer que seja a resposta certa, é um enorme vexame.

E mais uma razão, como se não sobrassem muitas, para soltarem o Lula urgentemente e anular todos os processos contra ele.

Quanto tempo mais ele ficar preso, maior o crime generalizado de prevaricação por agentes públicos, de delegados a desembargadores e ministros do STF, e maior a indenização que o Estado brasileiro lhe deverá.

Liberdade para Lula! Novas eleições já! Com Lula candidato.