Permanência estudantil
Há sete meses, os estudantes já denunciavam que o EAD adotado pela USP era completamente desconexo com a realidade vivida por eles
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Prédio do Conjunto Residencial da USP, onde moram estudantes da graduação e pós graduação | Foto: Gabriel de Andrade.

Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) e moradores Conjunto Residencial – USP (CRUSP) denunciam mais uma vez a falta de internet para o acompanhamento do ensino à distância (EAD) adotado pela instituição. Os estudantes questionam a atitude da universidade que, apesar de ter adotado o método à distância, sabia que uma grande parcela de estudantes pobres não teriam acesso ao serviço de internet e de tecnologia. A universidade é, então, diretamente responsável por aumentar a desigualdade no acesso à universidade entre os estudantes.

Cerca de 1,2 mil alunos de graduação e pós-graduação que moram no CRUSP. O ato de exclusão dos estudantes pobres do acesso à universidade fica ainda mais evidente quando em suas próprias dependências não há serviço de internet para os alunos.

Há sete meses atrás esses estudantes já denunciavam que o EAD adotado pela instituição, que tinha o papel de suprir os problemas da pandemia era completamente desconexo com a realidade dos estudantes. Estes informam que os problemas vão desde a falta de internet à problemas de relacionados à alimentação, o que vem ocorrendo não apenas nas universidades paulistanas, mas também em todo o País, fazendo com que os estudantes mais pobres retornem às suas famílias.

Em setembro, Isabel Hartmann, pró-reitora de graduação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e integrante da Associação de reitores das universidades federais do país (Andifes) declarou em entrevista: “Podemos dizer que 50% dos alunos das universidades federais [do País] são pessoas em vulnerabilidade social. E sabemos que, na sociedade como um todo, as famílias têm sido muito impactadas”.

Em entrevista, o estudante Ygor Peniche relata que nos primeiros dois meses de pandemia teve que usar a internet da praça para se comunicar com os professores e tentar suprir a demanda do curso. Ele conta, ainda, que apenas em maio a USP tomou a iniciativa de distribuir modens para os alunos necessitados, no entanto nem todos conseguiram e, além disso, existe ainda o problema daqueles estudantes que não tem acesso a recursos tecnológicos como computadores e celulares adequados.

Gerson Yukio Tomanari, o superintendente de Assistência Social da USP, de modo canalha informou que já está em andamento a iniciativa para melhorar a estrutura do conjunto residencial, e que a obra de instalação da rede de internet deverá ser concluída no primeiro semestre de 2021. Ou seja, ele não tem previsão de quando todos os alunos devem conseguir ter acesso ao EAD.

A situação vem se arrastando desde o início da pandemia. Desde o início, o governo Bolsonaro vê na pandemia uma oportunidade destruir cada vez mais as universidades públicas no Brasil, que são as melhores universidade do País. Antes da pandemia, com os cortes, intervenções e restrições impostas às universidades, o que se ouvia pelos seus corredores era que a universidade poderia fechar a qualquer momento com falta de recursos para o pagamento das contas de luz.

Nesse momento é preciso que os alunos se unam para denunciar, por exemplo, que desde que assumiu, Bolsonaro já nomeou cerca de 29 interventores para atuarem como reitores nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). A tentativa de solucionar o problema do EAD não é um caminho válido para os estudantes, visto que estão caindo na política de desgaste da extrema-direita sobre a universidade.

Portanto, é urgente denuciar que a própria aplicação do ensino à distância é a arma de destruição das universidades e do ensino superior público do bolsonarismo, que está bem representado também pelas atitudes de reitores e instituições que não contestam o modelo EAD. O resultado dessa política não vem apenas afastando, excluindo e expulsando os filhos da classe trabalhadora dos IFES, mas vem também impedindo que possam concorrer com os filhos dos patrões.

Desse modo, é urgente que haja uma mobilização dos estudantes do ensino superior e básico para reivindicar o controle e a autonomia das universidades federais do País.

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