Burguesia ataca
Mesmo após tragédia em Brumadinho, Vale lucra mais de 5 bilhões de reais e não paga reparação de danos às famílias afetadas pelo crime da empresa
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MG - BRUMADINHO/BARRAGEM - CIDADES - Reuni¿o de pessoas que foram afetadas pelo rompimento da barragem da mineradora Vale   em Brumadinho (MG) com o promotor de JustiÁa AndrÈ Sperling para debater o assunto,   nesta quinta-feira, 25, dia em que a tragÈdia completa trÍs meses. Representantes do   MinistÈrio P¿blico Federal e da Defensoria da Uni¿o tambÈm participam do encontro. Um   acordo fechado entre a Vale e a Defensoria P¿blica do Estado de Minas para vÌtimas da   barragem da mineradora em Brumadinho rachou a forÁa-tarefa que investiga a tragÈdia. A   tratativa È avaliada pela promotoria e pela Defensoria P¿blica da Uni¿o como prejudicial   aos atingidos, enquanto a Defensoria P¿blica do Estado afirma que
Protestos contra a mineradora Vale | Foto: Reprodução

Moradores de Brumadinho continuam sendo esmagados pela Vale

A tragédia que marcou o início do ano passado no município de Brumadinho (MG) ainda alastra vestígios incontáveis. Caracterizado como um dos maiores desastres ambientais da mineração no país, a barragem de rejeitos, denominada como barragem da Mina do Córrego de Feijão, controlada pela Vale S.A, era caracterizada como área de “baixo risco”, porém “alto potencial de dano” pela empresa. O descaso industrial deixou mais de 270 mortos na região, denominado assim, como o maior acidente de trabalho no Brasil.

A empresa Vale S.A foi condenada pela justiça estadual a reparar os danos provocados pelo rompimento da barragem. Segundo o magistrado, o dano “não se limita às mortes decorrentes do evento, pois afeta também o meio ambiente local e regional, além da atividade econômica exercida nas regiões atingidas.” Inicialmente, para garantir a reparação, foi mantido o bloqueio de R$ 11 bilhões e o acordo homologado pela justiça do trabalho, era do pagamento de R$ 700 mil para cada cônjuge e filhos dos mortos do ocorrido.

Entendendo a conjuntura do acidente, vale ressaltar que a mineradora foi vendida pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), pelo preço de 3,3 bilhões, mas seu preço estimado era de 100 bilhões. O principal argumento da privatização, era a melhor qualidade nos mecanismos de funcionamento. Mas sabe-se bem que uma empresa privada com intuitos lucrativos, onde a manutenção seria vista como custo, em qualquer setor, mas principalmente no setor de mineração, só funcionaria devidamente com parte de fiscalização severa por parte do governo, o que claramente,como demonstrado pelo “acidente” em Brumadinho, não acontece no Brasil.

Compreendendo a política privatizante da direita majoritária burguesa, que controla o setor econômico do Brasil, e consequentemente do governo federal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, permitem o afrouxamento da fiscalização e a concessão de novas autorizações para exploração de minérios sem estudos profundos de impactos ambientais, comprovando o contínuo descaso com a população e evidenciando a política suja de interesses por parte dos setores econômicos burgueses.

Finalmente, mesmo com o acidente, resultado da falta de prioridade da empresa Vale no dia 25 de janeiro de 2019, a mineradora lucrou no segundo trimestre de 2020, R$ 5,3 bilhões de reais, porém como dito antes, os limites de danos são irreparáveis e não existe a possibilidade do pagamento de indenização à região e seus cidadãos.

Nesse sentido, segundo dados do observatório nacional sobre questões ambientais, econômicas e sociais de alta complexidade e grande repercussão do CNJ (conselho nacional de justiça) e do CNMP (conselho nacional do ministério público) existem ativos 4.201 processos relacionados ao rompimento da barragem em Brumadinho.

Dentro deles, há relatos de demora do pagamento de indenização para os atingidos no desastre, e ainda piores como no caso da família de Renato Vieira Caldeira, que reitera o verdadeiro interesse das privatizações e o esmagamento por parte do interesse capitalista para com a população, além da perda financeira e a destruição do meio ambiente, a privatização da mineradora engoliu, literalmente, a classe trabalhadora e as comunidades que viviam entorno da barragem.

Fotos de família, comprovante de residência e uma carteirinha do plano de saúde da Vale, onde Igor aparecia como dependente, não foram suficientes para que Igor de Oliveira Júnior, enteado de Renato Vieira, recebesse a indenização. Renato, trabalhava na mineradora e foi um dos mortos no acidente. A família tentou fechar acordo com a empresa, mas mesmo condenada e com o acordo firmado judicialmente com os pagamentos das indenizações, a Vale S.A, apresentou em segunda instância um recurso, negando a culpabilização pelo rompimento e disse ter tomado as devidas medidas de segurança para impedir o acidente. Ou seja, enquanto retoma a política de dividendos com acionistas e lucra bilhões, reduziu a indenização a ser paga a família.

Além disso, o pagamento emergencial definido para todo o município foi reduzido pela metade em 2020, menos nos bairros mais afetados. A Vale decidiu por conta própria, quem deveria receber ou não o auxílio equivalente a meio salário mínimo para adultos, que gerou protestos no município em meio a pandemia.

Convivendo com todo esse caos causado pela privatização da empresa e o abandono gerencial do governo federal e sua política “pública” voltada para os interesses econômicos, moradores marcados pela tragédia, seguem assustados. Não bastasse os danos funcionais, o medo generalizado proporciona aos moradores da comunidade um estado ativo de alerta, seja para lidar com os abusos capitalistas, seja para ouvir o barulho das sirenes.

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