O futebol não é da Globo
Em processo de franca decadência, a emissora usa seu poder monopolista sobre o esporte para tentar alavancar a audiência da sua grade de programação.
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O narrador Galvão Bueno é um dos símbolos do monopólio da Globo sobre o futebol. | Foto: Reprodução.
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O narrador Galvão Bueno é um dos símbolos do monopólio da Globo sobre o futebol. | Foto: Reprodução.

É público e notório como a Globo manda e desmanda no futebol brasileiro. A emissora é alvo frequente de protestos por parte das torcidas justamente por suas interferências na tabela e horários dos jogos. Como um típico monopólio, a Globo impõe sua vontade sobre as transmissões do esporte mais popular do mundo.

Com o anunciado fim do detestável programa dominical apresentado por Fausto Silva, a emissora já cogita alterar o horário da transmissão dos jogos dos domingos. Torcedores acostumados com o horário das 16h, num dia em que era inclusive mais conveniente levar a família aos estádios (pelo menos antes da pandemia), terão que se adaptar aos caprichos da empresa da família Marinho.

A informação foi publicada pelo jornalista Flávio Ricco do R7, site de notícias que pertence ao Grupo Record. Ao que parece, o plano da Globo deve ser alavancar artificialmente seu programa das noites de domingo, que é mais um dentre os programas em franca decadência da emissora.

Nesse ano de 2021, já tivemos uma inédita quarta-feira sem transmissão de futebol. Para promover seu decadente “BBB”, a emissora deixou os torcedores e aficionados pelo esporte na mão. No país do futebol, que tem transmissões regulares do esporte na televisão aberta apenas duas vezes por semana, a Globo cortou essa cota baixíssima pela metade para estrear o programa.

O papel desempenhado por esse monopólio capitalista é nocivo ao esporte, afastando os torcedores dos seus clubes. A Globo compra o pacote completo dos jogos, para passar apenas dois por semana na televisão aberta. Para ter acesso aos outros jogos, só contratando os canais pagos. No afã por explorar da maneira mais parasitária o possível o futebol, a empresa dificulta o acesso aos jogos, numa atitude que tende a diminuir a audiência dessas transmissões.

Além de tentar aumentar a atratividade dos seus canais pagos, essa escassez procura impulsionar a programação esportiva regular da emissora. Como não é possível assistir a maioria das partidas, muitos torcedores ficam reféns de acompanhar os enfadonhos “resumos” das rodadas dos campeonatos, sempre de maneira adaptada aos padrões decididos pela emissora.

Essa dominação não deve ser tolerada pelas torcidas. Chega de manter os torcedores reféns dos caprichos dessa empresa decadente e que dificulta tanto a vida dos apaixonados pelo futebol. O controle popular dos clubes é uma estratégia importante para libertar os times das negociatas entre a Globo e os cartolas. O futebol não é deles, é do povo.

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