“Mobilizar e colocar a direita para correr”, entrevista com Antônio Carlos dos Educadores em Luta

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Entrevistamos o companheiro Antonio Carlos Silva, professor da rede estadual de São Paulo, coordenador da Corrente Educadores em Luta e membro da direção nacional do Partido da Causa Operária (PCO), que participou – nesta quinta (dia 22), da reunião realizada na Faculdade de Direito da USP que lançou o Comitê Estadual das Entidades em defesa dos professores e contra a Escola com Fascismo.

Diário Causa Operária – Qual o balanço que o companheiro faz dessa reunião convocada pelos professores da ADUSP?

Antonio Carlos Silva –  Foi uma importante iniciativa que agrupou importantes organizações que vinham tomando diferentes atividades isoladas em torno da defesa dos professores, atingidos pelos ataques de grupos de direita nas escolas e universidades. No último fim de semana, nós de Educadores em Luta/PCO, realizamos uma reunião com companheiro de todas as regiões do País, onde aprovamos a realização de uma campanha nacional e o chamado à constituição de Comitês entre os sindicatos, em cada entidade, nas escolas e universidades.  A reunião de hoje, aqui na USP, debateu os ataques e medidas concretas, como a constituição de uma comitê estadual, a publicação de um manifesto e a realização de uma Plenária Estadual, no próximo dia 6. A arma fundamental para barrar a ofensiva da direita é mobilizar os educadores, alunos e pais, para colocar a direita para correr, das escolas e universidades, tal como foi feito no Colégio Pedro II, no Rio, na semana passada; da mesma forma que estudantes e professores estão fazendo em diversas universidades.

Diário Causa Operária – Qual o objetivo da extrema direita em levar adiante os ataques contra os professores e a pressão em favor da Escola com Fascismo?

Antonio Carlos Silva – Querem impor uma verdadeira ditadura nas escolas, impor a censura; calar os professores e os alunos, no momento que se prepara uma enorme ofensiva contra o ensino público e contra o conjunto das condições de vida da população. Eles são uma minoria, não tem apoio popular, mas querem impor uma situação de retrocesso, impedir o debate democrático nas escolas e atacar os professores e estudantes para impedir sua luta, fundamental para enfrentar e derrotar os ataques do governo ilegítimo de Bolsonaro contra a educação e todo o povo.

Diário Causa Operária – A corrente Educadores em Luta, do PCO, está propondo uma campanha de solidariedade contra a perseguição aos professores. Em que consiste essa campanha?

Antonio Carlos Silva –  O fundamental é atuar diretamente nas escolas (e também nas universidades) para reagir aos ataques onde eles aconteçam, por meio da arma mais importante que é a mobilização dos educadores e de toda comunidade escolar. As organizações dos trabalhadores da educação e da juventude, são importantes, mas é preciso mobilizar a partir dos locais de estudo e trabalho, formando comitês. É preciso também criar centrais de denúncias e mobilização. Daí a importância do comitê Estadual unificado. Diante do ataque da direita a uma escola, a um professor, mobilizar todas as entidades, com força total. Enfrentar e colocar os reacionários para correr. Mostrar a força da mobilização dos educadores e da juventude e dos seus aliados. Foram confeccionados cartazes e boletins, e estas iniciativas precisam ser multiplicadas.

Diário Causa Operária – Como você vê a iniciativa de hoje de formação de comitês pelos representantes das entidades dos  professores paulistas? Quais os próximos passos?

Antonio Carlos Silva –  Foi um avanço significativo que precisa ser complementado por meio de iniciativas prática do comitê. Foi constituída uma coordenação aberta com representantes de várias entidades, da qual vamos participar, para impulsionar as iniciativas comuns; destacando-se a convocação da Plenária Estadual a ser realizada, no dia 6, a partir das 18h, no auditório da APEOESP, na Praça da República.

Diário Causa Operária – Os comitês de luta contra o golpe, o PCO e outras organizações da esquerda estão chamando uma 2ª Conferência Nacional contra o golpe. Poderia comentar um pouco sobre isso?

Antonio Carlos Silva – No meio deste ano foi realizado a 1ª Conferência, que foi importante para a unificação de todo movimento contra o golpe e que inclusive deliberou o apoio à Lula nas eleições. Agora, os comitês de todo país estão convocando uma 2ª edição pois vemos que as coordenadas fora atualizadas. Os golpistas conquistaram uma vitória parcial com a fraude eleitoral que colocou Bolsonaro no poder e a extrema-direita está se mobilizando. Ao mesmo tempo, a esquerda caiu em uma depressão política e setores querem capitular com os golpistas por meio de uma Frente Ampla. Por isso, é importante que todos participem da 2ª Conferência Nacional [de luta contra o golpe e o fascismo]; trata-se de um evento crucial para reagir aos ataques da direita golpista.

Diário Causa Operária – Por que a luta contra o Escola com Fascismo está relacionada com a luta pelo Fora Bolsonaro e pela liberdade de Lula?

Antonio Carlos Silva – A liberdade de Lula é um ponto central para derrotar o golpe. Lula é um político extremamente popular que consegue mobilizar uma intensa massa de trabalhadores contra os ataques dos golpistas. Da mesma forma a palavra de ordem “Fora Bolsonaro” é primordial para atacar todo regime golpista. O Escola com Fascismo é um projeto geral dos golpistas para aumentar a perseguição política. Portanto, vemos que estas duas palavras de ordem centrais são importantes no sentido de derrotar o regime golpista de maneira geral. Sem falar que a questão do “Fora Bolsonaro” é primordial na luta contra o avanço da extrema-direita nas escolas, já que os bolsonaristas são linha de frente no Escola com Fascismo.