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Neoliberalismo
Miséria: um quarto das famílias vive com menos de R$ 2 mil
A desigualdade social como projeto de dominação e barateamento da mão de obra que serve a burguesia
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Neoliberalismo
Miséria: um quarto das famílias vive com menos de R$ 2 mil
A desigualdade social como projeto de dominação e barateamento da mão de obra que serve a burguesia
O Brasil cresce para baixo. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas
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O Brasil cresce para baixo. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou a Pesquisa de Orçamento Familiar realizada entre junho de 2017 e julho de 2018, em 57.920 domicílios, sobre os hábitos de consumo dos brasileiros.

Uma das conclusões a que a nova pesquisa chegou, é que, até julho do ano passado, as famílias com renda de até R$ 1,9 mil destinam 61,2% de seus gastos à alimentação e habitação. Entre aquelas com os rendimentos mais altos, acima de 25 salários, a soma atingia 30,2%, sendo 7,6% com alimentação e 22,6% com habitação.

Para as famílias que formam a classe de maiores rendimentos, as despesas com alimentação (R$ 2.061,34) eram mais que o triplo do valor médio do total das famílias do país (R$ 658,23) e mais de seis vezes o valor da classe com rendimentos mais baixos (R$ 328,74).

O resumo de toda a ópera é o seguinte:

A desigualdade aumentou: 2,7% das famílias brasileiras concentram 19,9% de toda a renda.

23,8% vivem com menos de dois salários mínimos por mês. Na pesquisa anterior, o número era de 21,63%.

73,03% das famílias receberam menos de seis salários mínimos por mês. Nove anos atrás, eram 68,40%.

A parcela dos salários destinada ao pagamento de dívidas e empréstimos bancários cresceu de 2,1% para 3,2%.

As famílias, hoje, gastam menos com alimentação (-1,9%) e transporte (-1,4%).

Se essa aí era a realidade pós golpe, até julho de 2018, imagina como estará hoje? Certamente, muito pior.

Em todas as regiões, o componente com a maior participação no total dos rendimentos das famílias foi o trabalho, indo de 52,6% no Nordeste a 61,5% no Centro-Oeste. Já as transferências tiveram a maior participação no Nordeste (24,6%) e a menor, no Centro-Oeste (14,3%). No caso do rendimento não monetário, as regiões Nordeste e Norte tiveram participações acima da média nacional (15,7% e 15,6%, respectivamente), enquanto o Centro-Oeste teve a menor participação (12,8%).

O maior valor médio recebido pelas famílias foi no Centro-Oeste (R$ 6.772,86), correspondente a 124,8% da média nacional e, no Sudeste (R$ 6.391,29), equivalente a 117,8%. No Nordeste (R$ 3.557,98) e Norte (R$ 3.647,70), os valores corresponderam a 65,6% e 67,2% da média nacional, respectivamente.

O Sudeste foi a região com maior contribuição para valor médio total recebido pelas famílias, com R$ 2.789,94, mais da metade da média nacional (51,4%). A menor contribuição era dada pela região Norte, com R$ 265,09, ou 4,9%. O Centro-Oeste, embora apresentasse o maior valor entre as regiões, participava com apenas R$ 525,44 (9,7%).

A concentração de renda, fruto da política do neoliberalismo, é outro absurdo. Apenas 2,7% das famílias se apropriavam de 20% da média global do país. 

A análise por classes de rendimento mostrou que 23,9% das famílias recebiam até R$ 1.908,00 (2 salários mínimos) e contribuíam com apenas 5,5% do valor médio recebido no Brasil. Ou seja, da média mensal global de R$ 5.426,70, apenas R$ 297,18 vêm deste grupo.

Considerando as famílias que viviam com até R$ 5.724,00 (6 salários mínimos), a contribuição foi de 36,1%. Assim, da média global de R$ 5.426,70, R$1.958,71 vêm deste grupo, ou seja, ¾ das famílias se apropriam de cerca de 1/3 da renda média.

Na última classe estão apenas 2,7% das famílias brasileiras, que recebiam mais de R$ 23.850,00 (25 salários mínimos). Este grupo contribuiu com R$ 1.080,26 para média global de R$5.426,70. Dessa forma, este grupo se apropria de quase 20% de todos os valores recebidos pelas famílias.

Quando se analisa a origem dos valores recebidos por classes de rendimento, nas famílias que recebiam até 2 salários mínimos, 41% vinham do rendimento de trabalho; 28,8%, das transferências; 0,3%, dos aluguéis; 0,6%, de outras rendas; 28,2% era não monetário e 1,1% se referia à variação patrimonial.

Na outra ponta, nas famílias que recebiam mais de 25 salários mínimos, 60% vinham do rendimento de trabalho; 12,8% das transferências; 3,7% dos aluguéis; 0,2% de outras rendas; 7,9% era não monetário e 15,3% se referia à variação patrimonial.

Guarde esse números. Certamente estarão piores na próxima pesquisa, caso Bolsonaro não intervir no IBGE e mascarar a situação de miséria a que foi levado o País e para qual a direita golpista não tem nenhuma solução, pelo contrário, dependendo de Bolsonaro só vai piorar. Por isso lutar pelo fim desse governo é uma questão de sobrevivência.