Manobra Boulos
Se o PT abandonar a candidatura Tatto em São Paulo estará acelerando a manobra da direita golpista em busca do isolamento de Lula em 2022
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Boulos, Dino, Haddad
Frente ampla em ação | Arquivo

Há muita conversa entre alguns setores da esquerda no sentido de que se deveria apoiar o candidato do PSOL em São Paulo, Guilherme Boulos, em nome de uma suposta frente de esquerda. Essa pressão recai principalmente sobre o candidato do PT, Jilmar Tatto. Uma ala mais direitista do PT apresentou apoio a Boulos antes mesmo da campanha.

O jornalista e editor do sítio Brasil 247, Aquiles Lins, expressa com bastante clareza os argumentos levantados pelos setores da esquerda que defendem o apoio a Boulos, mais ainda, que o PT abandone sua candidatura para apoiar o PSOL. “PT deveria apoiar Guilherme Boulos e fortalecer aliança de esquerda para 2022”, afirma o título do artigo.

O jornalista levanta alguns nomes petistas que têm pedido que haja o apoio a Boulos, como por exemplo, Leonardo Boff e Marilena Chauí.

As eleições de 2018

Para fundamentar seu apelo para que haja o abandono da candidatura Tatto o artigo lembra os acontecimentos das eleições presidenciais de 2018 em que Lula foi impedido de concorrer e o PT decidiu pela candidatura de Fernando Haddad.

“o PT decidiu segurar a candidatura Lula com o objetivo de manter, pelo máximo de tempo possível, o capital eleitoral acumulado em torno do ex-presidente. Capital eleitoral este que, com a esperada negativa da Justiça Eleitoral ao nome de Lula nas urnas, seria transferido para Fernando Haddad, dando-lhe assim competitividade diante de Jair Bolsonaro e da extrema-direita que estava em franca ascensão. Muito se questionou se esta era a estratégia correta a ser adotada pelo partido. Se não teria sido mais competitivo para Haddad figurar mais cedo na cabeça de chapa”

Aqui vemos o erro fundamental de todas as análises sobre as eleições: a crença de que a vitória nas eleições é um simples problema de manobras. Perde-se de vista, com isso, o fator fundamental da política.

As eleições de 2018 estavam muito claramente preparadas com uma fraude. A única maneira da esquerda superar a fraude – ainda que sem total garantia de que seria bem sucedida – era uma candidatura de Lula. Por isso, o ponto central da fraude, a jogada mais importante da direita não foi uma manobra eminentemente eleitoral mas foi a prisão de Lula e a sua condenação.

Enquanto a direita agia politicamente, usando uma medida de força contra Lula, a esquerda optou pela manobra eleitoral. Já que Lula não poderia ser candidato, aceitar a imposição da direita e lançar outro candidato. É nisso que reside a derrota da esquerda, não em que momento decidiu-se por Haddad. Ao aceitar o golpe fundamental, O PT já tinha perdido a eleição.

A única forma de enfrentar a medida contra Lula era ter mantido sua candidatura. Contra uma medida de força, outra medida de força. Hoje, depois da vitória de Bolsonaro, fica muito claro que a única saída para o PT era manter Lula candidato e enfrentar a direita, o que colocaria um problema para a direita e escancara a fraude eleitoral, abrindo uma possibilidade de mobilização em torno do golpe contra Lula.

Política não é aritmética

São essas ilusões eleitorais que alimentam a atual proposta de apoio à candidatura de Boulos. Os que defendem tal política acreditam que o problema do golpe, da destruição do País, seria resolvido com uma manobra eleitoral.

Voto em um candidato e os problemas estarão resolvidos. Nada mais longe da realidade.

O PT é o maior partido de esquerda da América Latina e o maior partido de São Paulo. Por que esse partido deveria abrir mão de uma política própria em nome de uma ilusão eleitoral? A única consequência de uma decisão como esta será a desmoralização total.

Um filme parecido com 2018 será passado. Convencem as pessoas de que Boulos é a salvação, como Haddad foi a “salvação” em 2018, aposta-se todas as fichas na manobra eleitoral para a bola cair na caçapa viciada da direita golpista, que é quem efetivamente está controlando as eleições.

Uma desmoralização da esquerda em geral mas pior ainda para o PT, que abriu mão de uma candidatura própria e portanto entregou sua popularidade para outro partido. E é bom que se diga, esse partido não será o PSOL.

Quem mais deseja o abandono da candidatura do PT é a própria direita. Por isso o bombardeio de elogios a Boulos na imprensa golpista. A direita, maior inimiga da esquerda, elegeu Boulos o maior herói da esquerda em São Paulo.

Nesse sentido, inclusive, visto que as pesquisas eleitorais são controladas por essa mesma imprensa golpista, é obrigação das pessoas duvidarem das pesquisas que são usadas para convencer o PT a abandonar sua candidatura.

A política não é um jogo de números. Mesmo se acreditássemos ingenuamente que os números das pesquisas são corretos, o abandono de uma candidatura e o apoio a outra não significa simples transferência de votos. Pensar assim é infantil. Uma série de fatores estão em jogo.

Mas o mais importante é que os cálculos imediatos e as manobras eleitorais ignoram o óbvio: estamos diante de eleições controladas pela direita.

Frente de esquerda agora para preparar 2022

Um dos argumentos levantados pelo jornalista para um apoio a Boulos é uma preparação para as eleições presidenciais de 2022:

“O PT tem condições de construir este acordo, incorporando inclusive suas principais propostas para São Paulo no plano de governo de Boulos. O PT governaria São Paulo junto com o PSOL, num ensaio de união e coesão para a maior disputa que se avizinha: a da presidência em 2022.”

À parte a ilusão da possibilidade de um governo do PSOL em São Paulo que, se caso acontecesse não seria nada de diferente do que são os governos da esquerda reformista, vejamos se o apoio a Boulos seria um ensaio para 2022.

Aquiles Lins quer uma frente de esquerda em 2022, mas não especifica como. Façamos algumas especulações.

Hoje, a pressão é que o PT abandone Jilmar Tatto e apoio Boulos. Quase nada é dito sobre outros casos: teria o PSOL que abandonar sua candidatura no Rio de Janeiro para apoiar Benedita da Silva? Isso nos faz suspeitar que uma frente de esquerda em 2022 teria Lula na cabeça de chapa? Lula é disparadamente o mais popular do País, estaria o PSOL disposto a apoiá-lo? Até agora, esse resposta é negativa.

Na realidade, para o PT, uma decisão de abandonar a candidatura Tatto será um atestado contra uma candidatura em 2022, deixaria o partido em desvantagem. E como parte da manobra, assim como em 2018, a esquerda se apoiaria numa possível proibição da candidatura de Lula. Está feita a vontade da direita.

O abandono da candidatura do PT e nome de uma miragem eleitoral em São Paulo é um fator importante para o golpe que a direita quer dar em Lula em 2022. É o desejo da direita, muito bem expresso na frase da jornalista do Estadão, Vera Magalhães, “Vai ter frente ampla sem o PT na cabeça, sim”. As eleições municipais são um ótimo laboratório para esse golpe.

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