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No penúltimo voto do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula, o mais antigo ministro do STF, Celso de Mello, rebateu as declarações ameaçadoras do comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas. O general insinuou que haveria uma intervenção dos militares caso a corte não votasse pela negação do habeas corpus, favorecendo assim a prisão de Lula.

O decano viu a pressão militar como uma insurgência de natureza “pretoriana”, ou seja, de uma casta privilegiada de militares que age sem escrúpulos a favor de proteger o status quo, e disse que a manifestação é um desrespeito ao poder civil.

A declaração do general, divulgada em sua integridade pelo Jornal Nacional às vésperas do julgamento, é vista pelo jurista como “uma grande advertência que não pode ser ignorada”, lembrando em sua fala a experiência fascista do golpe de 1964, que fechou instituições, suprimiu liberdades e eliminou toda oposição possível, muitas vezes de forma violenta e desumana.

O ministro, que votou a favor do habeas corpus de Luiz Inácio Lula da Silva, lembrou que os agentes do Estado, seja de qual esfera forem, devem “o respeito indeclinável à Constituição”. Pena que grande parte de seus companheiros não compartilhem o mesmo raciocínio, que deveria ser algo lógico e básico em uma democracia liberal.

Mello foi o único a se manifestar contra a fala do general Villas Bôas, que ainda por cima foi ecoada por outros generais, até de forma mais explícita e enérgica, e o que se viu durante todo o longo julgamento foi uma corte refém dos interesses imperialistas e golpistas, assim como são esses mesmos setores das Forças Armadas.

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