Ministério Público divulga prisão de latifundiários que assassinaram liderança do MST na Bahia

fábio santos

No dia 2 de abril de 2013, no Município de Iguaí, sudoeste da Bahia, o militante do MST Fábio Santos foi assassinado com 15 tiros durante uma emboscada realizada por latifundiários na região de atuação do militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) da Bahia.

Fábio Santos foi a principal liderança do MST na região e enfrentou diversos latifundiários. Foram seis anos de denúncias e pressão dos movimentos sociais para que houvesse a solução do caso, que estava sendo esquecido pela justiça.

Um primeiro fato que chamou a atenção do caso foi que ficou enrolado pela justiça todo esse período, com diversos juízes de pelo menos três comarcas deixaram o caso de lado e foi necessária muita pressão do MST para que o caso fosse encaminhado para apuração.

As investigações apontaram e não conseguiram esconder a existência de uma “associação criminosa” de latifundiários que atuavam na região de Iguai, Ibicuí e Nova Canãa, e que a motivação do crime foi a atuação de Fábio Santos em defesa da Reforma Agrária.

Foram acusados os latifundiários Délcio Nunes Santos e Welder Leonardo Gusmão Amaral, o comerciante Márcio Fabiano Cunha Borges e os vaqueiros Arenaldo Novais da Silva, Ricardo Neves de Oliveira e Neuton Muniz da Silva, e foi organizado uma operação para prender os acusados.

O fato que chama a atenção é que o Ministério Público do Estado da Bahia (MPE) realizou a divulgação prévia do pedido de prisão e dois dos principais acusados, o latifundiário Welder Leonardo Gusmão Amaral e o pistoleiro Ricardo Neves de Oliveira fugiram.

Essa ação do MPE revela que após diversas manobras para evitar a investigação e a punição dos latifundiários assassinos da liderança do MST da Bahia, realizaram mais uma ação para evitar a prisão dos mandantes do assassinato.

O que esse caso demonstrou que somente a mobilização do MST pode garantir a abertura de processo contra os latifundiários, as investigações e a prisão dos acusados e que não se pode confiar nos órgãos do estado golpista. A justiça já demonstrou isso e está cada vez mais evidente.

É preciso denunciar o papel do MPE de proteção dos latifundiários e suas arbitrariedades que claramente estimulam cada vez mais os crimes contra os MST e da luta pela terra.