Militares que matam continuam soltos e sem punição

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O caso da família que foi fuzilada no Rio de Janeiro pelos militares é um dentre inúmeros outros casos de violência das forças de repressão contra o povo pobre, negro, trabalhador e morador de periferia. O fuzilamento com oitenta tiros terminou na morte do músico Evaldo Rosa dos Santos.

Todos os casos têm algo em comum que é o fato de que, na quase a totalidade deles, nenhum militar foi punido. No final de 2017, por exemplo, as Forças Armadas assassinaram oito pessoas na favela de São Gonçalo, até hoje nenhum militar sofreu qualquer punição. Vários inquéritos que investigavam mortes praticadas por militares nem chegaram a ser concluídos, foram arquivados, a pedido do Ministério Público, como foi o caso do assassinato do ambulante Diego Augusto Ferreira, em maio do ano passado.

Outros casos semelhantes de pessoas mortas por supostamente furarem blitz militares e policiais também foram arquivados a pedido da justiça. Um exemplo é o caso do professor Frederico Branco de Faria, morto em 2003, por “furar” uma blitz do exército em uma favela da zona norte do Rio de Janeiro.

Os casos revelam a completa conivência da justiça com os assassinatos praticados pelas forças de repressão. É uma demonstração clara do verdadeiro caráter do estado burguês, uma verdadeira máquina de guerra contra a população pobre e oprimida.

O governo golpista de Michel Temer intensificou ainda mais esse caráter ao passar para os tribunais militares os casos de violência praticados pelos membros das forças de repressão. Ou seja, a mesma instituição que incentiva a morte do povo nas ruas, irá julgar os casos de violência cometida por seus membros.

Após a eleição fraudulenta do último ano, com o novo governo golpista de Bolsonaro, já se prepara um novo fortalecimento do aparelho repressivo do estado com o chamado pacote “anti-cirime” de Sérgio Moro. A proposta concede licença para militares e policiais matarem de maneira indiscriminada e saírem completamente impunes, bastando que aleguem “forte emoção” ou “medo” perante a justiça.

A única forma de acabar com esse regime golpista e de guerra contra o povo é por meio da mobilização popular contra o golpe de estado, pela derrubada de Bolsonaro e todos os golpistas.